wp-header-logo.png

Empresas gigantes da mineração começaram a se movimentar nos bastidores e avaliam, de forma ainda “discreta”, uma possível entrada no promissor mercado de terras raras no Brasil.

Fontes do setor que hoje desenvolvem projetos no país afirmam ter identificado movimentos “preliminares” envolvendo executivos da Vale e da Rio Tinto, duas das maiores mineradoras do mundo, interessados em entender melhor a dinâmica desse mercado.

Hoje, o desenvolvimento dessa nova cadeia do setor é dominado por companhias juniores de capital aberto, principalmente australianas, que avançaram com projetos em estágio inicial de exploração e desenvolvimento.

Segundo interlocutores do setor, já ocorreram aproximações e conversas técnicas para entender os detalhes geológicos, comerciais e tecnológicos desses projetos. As tratativas, no entanto, ainda são consideradas iniciais e conduzidas com grande discrição.

O mercado global de terras raras ainda é pequeno e historicamente dominado pela China, que concentra grande parte da produção e, sobretudo, das etapas de processamento desses minerais.

Durante muitos anos, essa concentração gerou distorções de mercado, como políticas de preços agressivas e episódios de dumping, que dificultaram o desenvolvimento de projetos em outras regiões do mundo.

Esse cenário ajudou a explicar por que as grandes mineradoras globais ficaram de fora do setor por muito tempo.

Na avaliação de executivos do setor, quando as primeiras empresas começaram a desenvolver projetos fora da China, o risco ainda era elevado. Em muitos casos, sequer havia um mercado consolidado, com contratos de compra de longo prazo ou previsibilidade de preços.

Por isso, quem assumiu esse risco inicial foram, sobretudo, companhias juniores, com estruturas mais enxutas e maior apetite para investir em projetos greenfield, ainda em estágio inicial.

Essas empresas costumam ter maior agilidade para avançar em projetos de exploração mineral, além de estruturas de governança e compliance menos complexas que as grandes mineradoras, o que facilita decisões rápidas em ambientes de alto risco geológico e financeiro.

Esse também é um movimento comum na indústria mineral global.

Grandes empresas têm, cada vez mais, evitado projetos greenfield, aqueles que começam do zero, e preferem entrar em fases mais avançadas, quando os depósitos já estão melhor conhecidos e os riscos técnicos reduzidos.

Outro fator que historicamente afastou as gigantes do setor foi o tamanho do mercado.

Mesmo com o crescimento recente da demanda, impulsionado por tecnologias como veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos eletrônicos, o mercado de terras raras ainda é significativamente menor do que o de commodities tradicionais da mineração, como minério de ferro, cobre ou níquel.

Essas grandes mineradoras tendem a concentrar seus investimentos em minerais onde já possuem escala, infraestrutura e vantagem competitiva.

Na avaliação de interlocutores do setor, no entanto, o momento de entrada pode estar cada vez mais próximo.

O mercado global de terras raras começa a passar por um processo de reorganização, com governos e empresas buscando reduzir a dependência da China e criar cadeias produtivas alternativas.

Nos Estados Unidos, na Europa, no Japão e na Coreia do Sul, políticas públicas voltadas à segurança mineral têm impulsionado financiamento, contratos de compra de longo prazo e mecanismos de garantia de preços mínimos para projetos considerados estratégicos.

Esses instrumentos ajudam a dar maior previsibilidade financeira aos empreendimentos e reduzem parte do risco que historicamente afastava investidores de grande porte.

Nesse contexto, executivos do setor avaliam que o momento de entrada das grandes mineradoras pode estar próximo quando os principais projetos brasileiros avançarem para estágios mais maduros de desenvolvimento.

Isso tende a acontecer após a obtenção de licenças ambientais e a conclusão de estudos de viabilidade definitivos, o que pode ocorrer entre 2027 e 2029 para alguns dos projetos mais avançados no país.

A possibilidade de joint ventures — parcerias entre grandes mineradoras e empresas juniores — não é descartada, mas é vista como menos provável por interlocutores do setor.

Segundo essas fontes, o movimento mais comum na indústria mineral costuma ser a aquisição integral ou majoritária dos projetos.

Nesses casos, é comum que a empresa compradora pague um prêmio relevante sobre o valor de mercado das companhias listadas em bolsa. Na prática, isso significa pagar significativamente mais pelas ações para assumir o controle do ativo.

Se uma ação é negociada, por exemplo, a US$ 0,50 no mercado, uma proposta de aquisição pode incluir um prêmio de até 100% sobre esse valor, dependendo do interesse estratégico e da qualidade do projeto.

A própria Vale já tem se aproximado do tema dos minerais críticos no Brasil, incluindo terras raras.

Em 2025, a mineradora anunciou, em parceria com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), a criação de um fundo voltado a projetos ligados a minerais estratégicos para a transição energética.

O fundo tem como objetivo investir em pesquisa, desenvolvimento, implantação ou operação de ativos ligados a esses minerais no país.

Em entrevista à CNN Infra em março, durante o PDAC, maior evento de mineração do mundo, realizado em Toronto, o CEO da Vale, Gustavo Pimenta, não descartou uma eventual entrada da empresa nesse mercado.

“A gente tem avaliado se existiriam outras commodities em que deveríamos participar. Nosso foco hoje é naquilo em que temos escala e potencial minerário disponível. Nosso foco hoje é o minério de ferro de alto teor, que é fundamental para descarbonizar a cadeia siderúrgica, o cobre e o níquel”, afirmou.

No caso da Rio Tinto, interlocutores do setor avaliam que o movimento tem sido mais explícito.

Representantes da empresa já participaram de reuniões técnicas com integrantes do setor de terras raras no Brasil para discutir aspectos geológicos e de mercado desses projetos.

A empresa anunciou, em janeiro, a compra do controle da CBA (Companhia Brasileira de Alumínio) em parceria com uma estatal chinesa. A CBA possui algumas áreas com potencial para terras raras no Brasil.

A companhia também tem ampliado sua presença em minerais ligados à transição energética na América do Sul, incluindo investimentos recentes no setor de lítio na Argentina.

source
Fonte : CNN

Destaques Informa+

Relacionadas

Menu