A instituição que assessora os bancos centrais do mundo pediu às autoridades monetárias que não reajam de forma exagerada ao aumento dos preços globais de energia provocado pela guerra entre Estados Unidos e Israel com o Irã, chamando-a de um caso exemplar de quando é preciso não enfrentar imediatamente um choque, especialmente se ele for temporário.
O aumento de 40% nos preços do petróleo neste mês e o salto de quase 60% nos preços do gás no atacado geraram comparações com 2022, quando a invasão da Ucrânia pela Rússia e a reabertura da economia global após a Covid fizeram as taxas de inflação dispararem.
Os principais bancos centrais, incluindo o Federal Reserve, dos EUA, e o Banco Central Europeu, aumentaram as taxas de juros para os níveis mais altos em décadas, mas foram criticados por reagirem muito lentamente após julgarem erroneamente que o impacto seria transitório.
Desta vez, os mercados financeiros foram rápidos em reavaliar as expectativas, apostando que os bancos centrais não vão querer cometer o mesmo erro novamente, mas o Banco de Compensações Internacionais (BIS) usou o mais recente relatório para pedir cautela.
“Se for um choque de oferta e, certamente, se for temporário, esses são os exemplos de livro texto em que você deve olhar além do choque, e não reagir com a política monetária”, apontou o principal consultor econômico do BIS, Hyun Song Shin.
Os comentários foram feitos no início de uma semana crucial para os mercados, com o Federal Reserve, o Banco Central Europeu, o Banco da Inglaterra e o Banco do Japão realizando as primeiras reuniões desde o início da guerra no Oriente Médio, em 28 de fevereiro. O BC brasileiro também deliberará sobre os juros nesta semana.
Os mercados monetários já reduziram o número de cortes nas taxas do Fed que esperam este ano para um, e agora estão precificando totalmente um aumento do BCE até julho, juntamente com uma chance de 85% de um segundo aumento até o final do ano.
“É uma espécie de reação instintiva”, declarou Shin, destacando também que os principais indicadores de inflação ainda não se movimentaram na mesma proporção, o que torna o cenário geral “muito confuso”.
O relatório do BIS, que é publicado quatro vezes por ano, também incluiu vários estudos, inclusive um sobre como os bancos centrais mudaram a forma de se comunicar com os mercados e o público após as crises globais recentes.
Esse estudo mostrou que mais bancos centrais estão usando cenários para ilustrar as implicações de riscos específicos, além das ferramentas tradicionais, como gráficos em leque e discussões qualitativas sobre riscos.
Muitos também tentaram se afastar da chamada orientação futura (“guidance”) sobre o provável rumo das taxas e, em vez disso, publicaram as próprias projeções de taxas, muitas vezes no contexto de cenários alternativos.
A visão do BIS sobre os riscos atuais do mercado também abordou outros surtos de volatilidade observados este ano, incluindo algumas vendas acentuadas de ações ligadas à inteligência artificial e alguns problemas no mercado de crédito privado.
“Temos que observar isso”, disse Frank Smets, vice-chefe do departamento monetário e econômico do BIS. “Mas não vemos nenhuma grande disrupção neste momento”.
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Fonte : CNN