A médica Andrea Marins Dias, de 60 anos, foi morta vítima de disparos de arma de fogo durante um patrulhamento da equipe da PMERJ (Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro), no último domingo (15), que teria resultado em uma perseguição policial e atingido o veículo em que ela estava em Cascadura, na zona norte do Rio de Janeiro.
Formada em medicina pela Uni-Rio, Andrea era ginecologista e cirurgiã geral e oncológica, com atuação de mais de 28 anos no cuidado com o corpo e a saúde da mulher.
Com mais de 2 mil seguidores, a médica publicava dicas e informações sobre a área em que atuava. Além disso, ela era criadora de um método específico responsável para ajudar mulheres com endometriose a buscarem diagnóstico precoce e tomarem decisões seguras sobre o tratamento. Ela era autora de um ebook feito com o intuito de informar mais sobre a saúde feminina e a doença.
Uma semana antes de sua morte, a médica fez uma postagem ressaltando sua profissão. Em outra publicação em que celebrava seu aniversário, ela afirmava que o seu propósito era continuar “ajudando outras mulheres”.
“Hoje celebro mais um ano de vida. Mas também celebro cada mulher que confia em mim sua história, sua dor e sua esperança”, escreveu.
Em nota, a Unimed Nova Iguaçu, hospital em que Andrea trabalhava, manifestou profundo pesar pela morte da médica e afirmou que ela foi vítima da “violência urbana no Rio”.
Veja a nota completa:
“A Unimed Nova Iguaçu manifesta profundo pesar pelo falecimento da médica cooperada Dra. Andrea Marins Dias, cirurgiã oncológica que tanto contribuiu com dedicação, competência e humanidade para o cuidado de seus pacientes e para a medicina.
A Dra. Andrea teve sua vida interrompida de forma trágica, vítima da violência urbana no Rio de Janeiro, enquanto visitava sua mãe.
Neste momento de dor, a Unimed Nova Iguaçu se solidariza com familiares, amigos, colegas de profissão e pacientes, expressando as mais sinceras condolências e desejando força e conforto a todos que tiveram o privilégio de conviver com a Dra. Andrea.
Seu legado de compromisso com a vida e com a medicina permanecerá na memória de todos nós”.
Perseguição policial
Na tarde de domingo (15), agentes receberam a informação de que um veículo Corolla Cross estaria envolvido em roubos na região de Cascadura, na zona norte do Rio de Janeiro.
Segundo o registro policial, os agentes localizaram o carro, além de uma moto e um Jeep Commander. Os veículos, de acordo com a versão da polícia, teriam fugido ao perceber a aproximação da equipe.
Ainda conforme a corporação, os suspeitos teriam efetuado disparos contra os policiais durante a perseguição, que revidaram.
Após a ação, os policiais encontraram Andrea, com perfurações de disparos de arma de fogo, no banco do motorista de um Corolla Cross.
A polícia não soube informar, no entanto, se o veículo dirigido por Andrea era o mesmo que havia sido apontado como suspeito de participar dos roubos na região.
A Secretaria de Estado de Polícia Militar lamentou a morte da mulher e informou que foi instaurado um procedimento para apurar as circunstâncias do caso. Segundo a pasta, os policiais que participaram da ação utilizavam câmeras corporais, e os equipamentos, assim como as armas, estão à disposição da investigação da Polícia Civil.
A DHC (Delegacia de Homicídios da Capital) foi acionada e investiga o caso. A Polícia Civil informou que diligências estão em andamento para esclarecer os fatos.
*Sob supervisão de Tonny Aranha
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Fonte : CNN