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Uma comitiva de peso com autoridades do governo dos Estados Unidos desembarca nesta segunda-feira (16) no Brasil para uma série de reuniões e eventos sobre projetos brasileiros de minerais críticos.

A agenda busca destravar negociações, aprofundar parcerias e avaliar projetos com potencial de financiamento americano.

As agendas começam nesta segunda, com o principal evento previsto para quarta-feira (18), quando será realizado um fórum sobre minerais críticos para discutir possibilidades de cooperação entre os dois países. Representantes de mineradoras consideradas elegíveis para possíveis financiamentos vão participar do encontro.

A comitiva, que é considerada robusta por agentes do setor privado, é formada por representantes de diferentes áreas do governo dos EUA. Participam integrantes dos departamentos de Energia, Comércio e Estado, além de bancos de financiamento ligados ao governo americano.

Também participará o encarregado de negócios da Embaixada dos EUA no Brasil, Gabriel Escobar.

Pelo governo americano, ainda participam integrantes da alta cúpula do EXIM (Export-Import Bank of the United States, banco oficial de crédito à exportação do governo americano) e do DFC (U.S. International Development Finance Corporation, instituição que financia projetos estratégicos no exterior).

Os dois bancos já apoiam e avaliam novos projetos ligados aos minerais críticos em diferentes países, inclusive no Brasil.

A participação do governo brasileiro no evento será mais discreta, concentrada em representantes da área de financiamento público.

Participam Flávio Moraes da Mota, chefe do Departamento de Indústrias de Base e Extrativa do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), e representantes da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos).

O governo tem evitado a participação de nomes mais pesados, como secretários e ministros, em eventos desse tipo.

O primeiro painel do evento será apresentado por autoridades americanas e terá como tema a política dos Estados Unidos para minerais críticos e terras raras. A administração Trump colocou o tema como prioritário e quer liderar uma tentativa de reorganização das cadeias produtivas desses minérios, essenciais para a produção de tecnologias de ponta, inclusive do setor de defesa.

O painel contará com Dan Vaughn, assessor sênior do Bureau de Assuntos Econômicos do Departamento de Estado dos Estados Unidos, com moderação de Ruth Demeter, diretora sênior de políticas do Global Energy Institute da Câmara de Comércio dos Estados Unidos.

Outro painel terá como foco representantes de mineradoras com projetos considerados extremamente promissores e abertos ao financiamento ocidental.

Essas empresas, todas de origem ocidental, vêm se posicionando com a estratégia de se tornarem fornecedoras confiáveis de minerais críticos para países do Ocidente, no contexto da reorganização das cadeias produtivas desses insumos, hoje fortemente concentradas na China.

Marcelo Carvalho, diretor da Meteoric Resources, e Rafael Moreno, CEO da Viridis Mining & Minerals, participam desse painel. As duas empresas australianas desenvolvem alguns dos projetos de terras raras considerados mais promissores do mundo, em Minas Gerais.

As companhias também mantêm interlocução com o governo federal e defendem estratégias de agregação de valor em território nacional, com a instalação de capacidades industriais para processamento intermediário desses minerais, um segmento ainda considerado incipiente fora da China.

A Meteoric, por exemplo, já opera uma planta-piloto no estado e produz, em escala de testes, o chamado carbonato misto de terras raras, um produto intermediário obtido após o processamento químico do minério, que concentra diferentes elementos de terras raras antes das etapas finais de separação individual.

Outro painel contará com representantes de Goiás e Minas Gerais, dois dos estados mais promissores quando o assunto são terras raras e que vêm adotando uma postura mais ativa na atração de investimentos no setor mineral, inclusive com concessão de incentivos fiscais.

A única exploração comercial de terras raras atualmente em operação no Brasil, inclusive, fica em Goiás, com a mineradora Serra Verde, que também participa do evento e já é financiada pelo governo dos EUA.

Haverá ainda, durante o evento, espaço para “pitches” de empresas abertas a financiamento americano.

O foco dessas apresentações serão projetos de terras raras, níquel, lítio e nióbio, reunindo empresas que já mantêm algum grau de aproximação com autoridades norte-americanas.

É o caso da mineradora australiana St George Mining, dona do Projeto Araxá, em Minas Gerais, que já se reuniu diversas vezes com representantes do governo dos EUA e desenvolve um projeto considerado inovador por combinar a produção de terras raras e nióbio no mesmo depósito.

O evento é organizado pelo Citibank, pela Amcham (Câmara Americana de Comércio) e pela Embaixada dos Estados Unidos no Brasil.

Terras raras e domínio da China

As reuniões ocorrem no contexto da prioridade da gestão Donald Trump de reduzir a dependência americana de minerais processados pela China.

Dados da IEA (Agência Internacional de Energia) indicam que cerca de 91% do refino global de terras raras é feito por empresas chinesas, que também respondem por aproximadamente 94% da produção de ímãs permanentes usados em turbinas, motores e equipamentos de defesa.

A IEA classificou essa concentração de mercado como um risco geopolítico severo, alertando que o domínio chinês permite a Pequim influenciar preços, controlar o acesso de países concorrentes e definir o ritmo de avanço de tecnologias estratégicas, como semicondutores, veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia.

Para Washington, o tema é especialmente sensível: a supremacia militar e tecnológica dos EUA pode ser ameaçada se a China ampliar o controle sobre insumos essenciais a setores de defesa, inteligência artificial e energia limpa.

É nesse contexto que o Brasil ganha destaque.

O país detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo, mas ainda não produz quase nada.

 

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Fonte : CNN

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