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O consumo de alimentos ultraprocessados no Brasil já representa cerca de 23% das calorias diárias ingeridas pela população, segundo estudo publicado na revista The Lancet e divulgado por pesquisadores da Universidade de São Paulo no final de 2025. Dentre os fatores de risco, a alimentação baseada nesse tipo de alimentação pode prejudicar desde a saúde metabólica até o desenvolvimento da visão infantil.

Ricos em açúcar, gorduras e aditivos químicos, e pobres em nutrientes essenciais, os ultraprocessados podem interferir diretamente na formação e no funcionamento das estruturas importantes do olho, como retina e mácula, explicou o oftalmologista Claudio Lottenberg, em entrevista à CNN.

“A visão depende do bom funcionamento de estruturas altamente especializadas do olho, como a retina, a mácula, o nervo óptico e a superfície ocular. Todas elas precisam de nutrientes específicos para funcionar adequadamente”, definiu o médico. Segundo ele, vitaminas como A, C e E, além de minerais como zinco e nutrientes como ômega-3, luteína e zeaxantina, ajudam a proteger as células oculares contra inflamação e estresse oxidativo.

Perigo desde a infância

Os riscos à visão desde a infância podem trazer sérias consequências até mesmo para a vida adulta. Dentre vitaminas essenciais mais preocupantes nas crianças, está a vitamina A, que, em falta, pode ser associada a quadros como cegueira noturna e, em casos graves, ulceração da córnea.

O excesso de açúcar também levanta preocupações. Dietas com alto teor de açúcar estão ligadas ao aumento do risco de diabetes precoce, que pode desencadear complicações como a retinopatia diabética, uma das principais causas de perda visual.

A baixa ingestão de vitaminas antioxidantes, como C e E, pode aumentar no futuro o risco de doenças como catarata e degeneração macular, devido ao estresse oxidativo. Já a deficiência de ômega-3 pode comprometer a qualidade do filme lacrimal, favorecendo sintomas de olho seco.

Segundo Lottenberg, esse tipo de alimentação também contribui para processos inflamatórios no organismo e pode prejudicar a microcirculação — fator importante para a saúde da retina e de outras estruturas oculares.

Impactos no aprendizado e no desenvolvimento

Além de afetar a saúde ocular, problemas de visão na infância podem comprometer diretamente o aprendizado e o desempenho escolar.

“Grande parte do processo educacional depende da leitura e da percepção visual. Déficits visuais podem impactar atenção, coordenação motora, prática de esportes e até a interação social”, ressaltou o médico.

Em alguns casos, dificuldades visuais não diagnosticadas podem até ser confundidas com problemas de comportamento ou aprendizagem.

Reflexos ao longo da vida

Hábitos alimentares ruins aumentam o risco de doenças metabólicas, como diabetes e hipertensão na vida adulta — condições que também estão diretamente associadas a diversas doenças oculares.

Entre elas estão retinopatia diabética, degeneração macular precoce e doenças vasculares da retina.

Prevenção começa no prato

Para reduzir os riscos, Lottenberg defende que a prevenção comece cedo, com educação alimentar e incentivo a hábitos saudáveis.

“Uma dieta rica em frutas, verduras, legumes, peixes, castanhas e alimentos naturais fornece os nutrientes necessários para o desenvolvimento ocular saudável. Também é importante reduzir o consumo de ultraprocessados, estimular hábitos de vida saudáveis, garantir exposição adequada à luz natural, limitar o tempo excessivo em telas e realizar avaliações oftalmológicas regulares na infância. Esses cuidados ajudam a proteger não apenas a visão, mas o desenvolvimento integral da criança”, concluiu o médico.

*Publicada por Nicoly Bastos, da CNN Brasil.

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Fonte : CNN

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