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A temporada de premiações que antecede o Oscar 2026 foi marcada por uma série de episódios que colocaram artistas — e até mesmo indicados — em situações, digamos, delicadas.

Da polêmica racista no Bafta a declarações mal recebidas sobre arte, animais e votantes brasileiros, o caminho até a cerimônia deste domingo (15) teve mais do que os habituais momentos de tensão.

A CNN listou os episódios que mais movimentaram — e complicaram — a corrida ao Oscar 2026. Acompanhe:

O ator que declarou guerra ao tutu

Timothée Chalamet, indicado a Melhor Ator por “Marty Supreme“, se viu no centro de uma controvérsia própria. Em evento organizado pela revista Variety, ao lado do ator Matthew McConaughey, afirmou que balé e ópera são artes em declínio.

“Admiro as pessoas que vão a um talk show e dizem: ‘Precisamos manter os cinemas vivos. Precisamos manter esse gênero vivo.’ Eu mesmo já fiz isso”, iniciou o astro de “Marty Supreme”. “Mas outra parte de mim pensa: se as pessoas quiserem ver, como aconteceu com ‘Barbie’ e ‘Oppenheimer’, elas vão ao cinema e fazem questão de mostrar isso.”

Foi então que vieram os comentários sobre balé e ópera. “E eu não quero trabalhar em balé ou ópera, ou em coisas onde a mensagem é: ‘Mantenham isso vivo’, mesmo que, tipo, ninguém se importe mais com isso”, disse ele, arrancando risadas de McConaughey e da plateia.

O comentário não foi bem recebido pelo público, imprensa e a indústria artística — ainda mais diante da revelação de que a mãe do ator é ex-bailarina. A tentativa de amenizar a situação, declarando ter “todo o respeito pelos profissionais da área”, não foi suficiente para conter as críticas.

Mais polêmicas no mundo supremo

Ainda em “Marty Supreme”, as polêmicas não se limitaram ao protagonista. O diretor Josh Safdie foi alvo de reportagens que o apontavam como ciente da presença de uma menor de idade — 17 anos — em uma cena de natureza sexual nas filmagens de “Bom Comportamento”, estrelado por Robert Pattinson, em 2017.

As alegações, que vieram à tona nesta temporada, seriam o estopim do distanciamento profissional entre ele e o irmão Benny (“Coração de Lutador: The Smashing Machine”).

Do elenco, Gwyneth Paltrow chamou atenção ao revelar que solicitou ao coordenador de intimidade do filme que recuasse durante as cenas gravadas com Chalamet — segundo ela, a presença do profissional a impedia de trabalhar com liberdade.

Para fechar o ciclo de turbulências do filme, a atriz Odessa A’Zion foi perseguida por antissemitas nas redes sociais, que a acusaram de ser sionista — algo que ela desmentiu.

Grécia para o diretor: não, obrigado

Bugonia“, do grego Yorgos Lanthimos, também acumulou controvérsias antes mesmo de chegar às telas.

O governo grego negou ao diretor autorização para filmar no Acrópole de Atenas, considerando as cenas planejadas — que incluíam dezenas de corpos espalhados pelo monumento — incompatíveis com “o simbolismo e os valores que a Acrópole representa”.

Na campanha de divulgação, o estúdio ofereceu acesso a sessões antecipadas exclusivamente a pessoas carecas ou dispostas a raspar o cabelo em referência à personagem de Emma Stone.

Nem todo carro chega ao pódio

Já “F1“, de Joseph Kosinski, surpreendeu ao chegar à lista de indicados a Melhor Filme — e a surpresa veio acompanhada de ceticismo.

Muitos críticos questionaram a verossimilhança do roteiro, que coloca Brad Pitt, de 61 anos na época do lançamento, como piloto competitivo na categoria máxima do automobilismo.

O filme também foi criticado por ter cortado da versão final o papel da atriz Simone Ashley (“Bridgerton“), de origem indiana, o que gerou questionamentos sobre representatividade nas produções de grande orçamento.

Miau

Jessie Buckley não precisou de escândalo para entrar na lista de polêmicas da temporada — bastaram dois gatos e um podcast. A irlandesa, favorita a Melhor Atriz por “Hamnet”, havia contado meses antes, em tom de brincadeira, que no começo do namoro deu ao marido um ultimato: ou ele ou os felinos.

“Gatos são malvados”, resumiu. O áudio, no entanto, ressurgiu às vésperas do fim das votações e incendiou a internet dos amantes de animais. A resposta veio no programa de Jimmy Fallon: Buckley se declarou “apaixonada por gatos”. A audiência ouviu. Nem todos acreditaram.

Nem o favorito escapa

Nenhum filme chega ao topo sem acumular inimigos pelo caminho. “Uma Batalha Após a Outra“, de Paul Thomas Anderson, tem 14 indicações ao Oscar — e uma lista considerável de desafetos.

Para parte do público americano, o longa é, na prática, um manifesto contra a política de imigração de Trump: a semelhança entre o vilão de Sean Penn e um agente real da patrulha de fronteira dos EUA não passou despercebida. O escritor Bret Easton Ellis foi mais direto: segundo ele, a fama de obra-prima do filme existe apenas porque o filme “se alinha a uma sensibilidade de esquerda”.

Do outro lado do espectro, críticos progressistas apontaram problemas no retrato da personagem de Teyana Taylor, sugerindo que o roteiro a reduz a objeto de desejo. A atriz não aceitou a leitura — e respondeu que o filme apenas mostra o que mulheres negras enfrentam na realidade: ser “fetichizadas, especialmente por homens perturbadores”.

Um diretor espanhol, um comentário sobre brasileiros e um emoji de sapato

Oliver Laxe, indicado por “Sirât“, um dos concorrentes de “O Agente Secreto” na categoria de Melhor Filme Internacional, disparou que “se os brasileiros inscrevessem um sapato no Oscar, todos votariam nele” — uma tentativa de humor que não funcionou.

Após as falas, brasileiros invadiram as redes sociais de “Sirât” com comentários debochando a fala, e o diretor se viu obrigado a pedir desculpas, alegando que os brasileiros “não entenderam o contexto”.

Racismo no BAFTA

O episódio mais grave da temporada não aconteceu no tapete vermelho nem nas redes sociais — aconteceu ao vivo, no palco do BAFTA. Em 22 de fevereiro, enquanto Michael B. Jordan e Delroy Lindo, do elenco de “Pecadores”, se preparavam para apresentar um prêmio, John Davidson, defensor da síndrome de Tourette e inspiração do filme “I Swear”, proferiu uma palavra racista para a dupla.

O episódio se repetiu minutos depois, quando Wunmi Mosaku subiu ao palco para receber o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante.

A cerimônia estava sendo transmitida com duas horas de atraso pela BBC, que optou por não editar o conteúdo. A emissora foi duramente criticada, e a organização do BAFTA assumiu responsabilidade e pediu desculpas aos atores.

CNN Brasil fará cobertura especial do Oscar 2026

A CNN Brasil prepara uma cobertura especial do Oscar 2026. Além de matérias especiais no site, vamos realizar uma live das 19h às 1 da manhã com Elisa Veeck e Mari Palma na TV e no YouTube. Ao lado de artistas e influenciadores, vamos mostrar desde o tapete vermelho até a divulgação dos vencedores da 98ª edição do prêmio.

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Fonte : CNN

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