O banqueiro Daniel Vorcaro declarou à Receita Federal ter realizado pagamentos que somam cerca de R$ 68,6 milhões em 2023 à empresa Super Empreendimentos e Participações S/A, companhia citada pela PF (Polícia Federal) nas investigações da Operação Compliance Zero.
Os valores constam na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda referente ao ano de 2023, entregue em 2024. No documento, Vorcaro informa na seção “Dívidas e Ônus Reais” uma série de operações financeiras vinculadas à empresa.
Entre os registros está o pagamento de R$ 31 milhões pela compra de três lotes no Condomínio Miguelão, em Nova Lima (MG). A dívida aparece como totalmente quitada em 2023, segundo a declaração apresentada à Receita Federal.
Outras movimentações financeiras registradas no documento incluem valores associados à aquisição de imóvel, investimentos em fundos patrimoniais e aportes empresariais, também vinculados à mesma empresa. Somadas, essas operações chegam a R$ 68.668.279,23 declarados como pagos ou quitados ao longo do ano.
A Super Empreendimentos e Participações S/A aparece nas investigações da Polícia Federal como uma das empresas utilizadas pela estrutura investigada para movimentação de recursos financeiros.
Segundo decisão do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), que autorizou a prisão preventiva de Vorcaro e de outros investigados na Operação Compliance Zero, empresas ligadas ao grupo teriam sido utilizadas como instrumentos para a prática de crimes financeiros.
De acordo com o despacho, essas empresas teriam sido utilizadas para formalizar contratos fictícios de consultoria, intermediar transferências financeiras, estruturar investimentos e realizar movimentações patrimoniais destinadas a ocultar a origem de recursos.
Entre as companhias citadas nas investigações está a Super Empreendimentos, apontada como parte da estrutura societária utilizada para viabilizar a circulação de recursos dentro do grupo investigado.
Segundo a Polícia Federal, os recursos movimentados por essas estruturas empresariais teriam sido utilizados, entre outros objetivos, para custear atividades de monitoramento e intimidação conduzidas por um grupo chamado de “A Turma”, responsável por levantar informações sobre adversários e pessoas consideradas ameaças aos interesses do empresário.
Para a investigação, a estrutura indicaria a atuação de uma organização criminosa.
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Fonte : CNN