Recentemente, um tipo específico de arma voltou a ganhar destaque nos noticiários: os “drones suicidas”, também conhecidos como drones de ataque “de uso único”.
Com o avanço da tecnologia de drones, esse tipo de armamento tem sido utilizado em conflitos recentes, como nos ataques realizados pelos Estados Unidos (EUA) contra o Irã.
O que é a força-tarefa Scorpion Strike?
Segundo o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM), esse tipo de “drone suicida” foi utilizado pela primeira vez em combate durante os ataques recentes ao Irã.
No caso do governo norte-americano, eles utilizam o sistema Lucas, sigla para Low-cost Unmanned Combat Attack System (sistema de ataque de combate não tripulado de baixo custo). Em termos simples, trata-se de um drone de ataque não tripulado e de baixo custo, pensado para missões sem retorno após o impacto no alvo.

Esse modelo faz parte da Task Force Scorpion Strike, a força-tarefa criada pelos EUA para acelerar o uso de drones desse tipo em operações militares.
“Esta nova força-tarefa cria as condições para usar a inovação como fator de dissuasão. Equipar nossos combatentes qualificados mais rapidamente com recursos de drones de ponta demonstra a inovação e a força militar dos EUA, o que dissuade os agentes mal-intencionados”, disse o comandante do CentCom, Almirante Brad Cooper, em um comunicado oficial.
“Drones suicidas”: o que são?
“Drones suicidas” é um apelido popular para os drones de ataque de “uso único” (one-way attack drones, em inglês), ou drones unidirecionais. Trata-se de um dispositivo não tripulado projetado para cumprir uma única missão: transportar uma carga explosiva que detona no impacto com o alvo.
Inclusive, esses dispositivos combinam características de drones e de projéteis guiados, pois voam como aeronaves não tripuladas, mas são usadas como munição de ataque.
Dentro desse grupo, uma categoria que vale destacar é o tipo “munição vagantes” (loitering munition); são sistemas capazes de permanecer no ar por um tempo observando a área, até que o operador confirme o alvo e autorize o ataque. Porém, também existem drones usados para atingir alvos fixos seguindo rotas programadas.
Por serem descartáveis e mais baratos que dispositivos de grande porte, esses drones permitem aumentar o volume de ataques sem colocar os pilotos em riscos desnecessários. Além disso, podem ser utilizados como um tipo de resposta rápida em alvos.
Ao mesmo tempo, o uso desses “drones suicidas” aumenta a pressão por regras mais claras, a fim de reduzir a chance de ataques a civis e evitar o uso errado.
Como funcionam os “drones suicidas”?
No caso do sistema Lucas, o custo estimado dos drones de ataque único é de aproximadamente US$ 35 mil por unidade. Atualmente, eles são produzidos pela SpektreWorks. Mas não são só os Estados Unidos que possuem esse tipo de dispositivo; o Irã produz uma versão semelhante, chamada oficialmente de Shahed-136.
É importante destacar que, por se tratarem de informações sensíveis de guerra, ainda não há muitos detalhes precisos sobre o funcionamento desses drones. Principalmente sobre os Lucas, o que se sabe é que eles têm longo alcance e foram projetados para operar de forma autônoma.
Diferença entre drones convencionais e drones ‘kamikaze’
Drones convencionais de combate costumam ser, literalmente, reutilizáveis. Ou seja, eles decolam, cumprem missões de reconhecimento ou ataque e retornam.
Já os drones “kamikaze” ou “suicidas” são tratados como uma munição, já que carregam um explosivo no próprio corpo e detonam quando chegam no alvo.
Inclusive, esse tipo de drone suicida é considerado mais “barato”. Na lógica de guerra, drones reutilizáveis exigem logística e conectividade mais custosas para operar diversas vezes. Enquanto isso, os drones “kamikaze” são mais simples, pois são pensados para apenas uma única utilização.
Exemplos de “drones suicidas” em outros conflitos
Antes de ficar conhecido pelo caso mais recente envolvendo EUA e Irã, esse tipo de drone já havia ganhado destaque em outros conflitos, especialmente na guerra da Ucrânia. Um relatório da CNA aponta que a Rússia passou a usar amplamente drones militares desse mesmo tipo.
No geral, esses drones chamam atenção por possibilitar custo mais baixo e a capacidade de atingir alvos a longas distâncias. Por isso, eles passaram a ser vistos como uma boa opção para estratégias militares.
Outro exemplo conhecido veio da guerra em Nagorno-Karabakh. No conflito, o Azerbaijão investiu fortemente em drones de combate e também utilizou o Harop, um modelo descrito como uma munição vagante.
Conheça cinco “drones suicidas” usados por diferentes nações:
- Lucas (EUA): o CentCom o descreve como um drone de ataque único que faz parte da Scorpion Strike.
- Shahed-136 (Irã): modelo iraniano de ataque único e, na Rússia, também é conhecido como Geran-2.
- Harop (Israel): sistema de “drone suicida” que pode sobrevoar a área antes de mergulhar no alvo.
- Switchblade 300 (EUA): modelo leve da AeroVironment, descrito pela empresa como parte da família munições vagantes.
- Lancet (Rússia): munição vagante russa usada para atingir alvos terrestres, que ganhou visibilidade na guerra da Ucrânia.
Existe regulamentação para esse tipo de drone?
Hoje, não existe uma lei internacional específica só para “drones suicidas”. O que existe é o Direito Internacional Humanitário (DIH), que define regras sobre a importância de diferenciar entre alvos civis e militares, evitar ataques desproporcionais e adotar cuidados para reduzir danos à população.
Organizações como o Comitê Internacional da Cruz Vermelha defendem que decisões de ataque precisam ter um controle humano real, porque isso ajuda a prever melhor os efeitos da ação e a reduzir o risco de erros graves.
Além disso, o tema segue em discussão na ONU e em outros fóruns internacionais, principalmente sobre até onde uma máquina pode participar da escolha e do ataque a um alvo.
Como ainda não há consenso global, muitos países tentam limitar esse mercado com sanções, restrições de exportação e outras medidas para dificultar a o uso desses drones.
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Fonte : CNN