A realização da COP 30 em Belém colocou o Brasil no centro do debate climático global, impulsionada pela forte defesa da agenda climática pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A diplomacia brasileira tem desempenhado um papel crucial para destravar temas importantes nas discussões. Na COP 30, a condução do embaixador André Corrêa do Lago foi vista como positiva. Especialistas em relações internacionais trabalharam para superar impasses, como a remoção da menção ao abandono dos combustíveis fósseis do texto final.
Historicamente, a diplomacia brasileira possui uma boa reputação na busca por consensos. Em edições anteriores da COP, como a COP 21, COP 25 e COP 26, o Itamaraty teve papéis relevantes, apesar de algumas críticas pontuais ao longo das 30 edições do evento.
Antes da COP 21 em Paris, a diplomacia brasileira demonstrava otimismo nas negociações. O chefe da Divisão de Clima, Ozônio e Segurança Química do Itamaraty, Everton Lucero, destacou que temas como mudança do clima, adaptação e redução de emissões estavam se tornando cada vez mais centrais ao processo de desenvolvimento. O Brasil apresentou propostas concretas e esperava que fossem concretizadas por meio da negociação com diversos países.
Na COP 21, o Brasil assinou o Acordo de Paris, comprometendo-se a reduzir as emissões de CO2 em 37% abaixo dos níveis de 2005 em 20 anos, e em 43% até 2030. O país também se comprometeu a reflorestar 12 milhões de hectares de florestas.
Em 2018, o Itamaraty destacou o papel de liderança do Brasil em temas de desenvolvimento sustentável e mudança do clima, ao se candidatar para sediar a COP 25 em 2019. No entanto, poucos meses depois, o Brasil desistiu da candidatura. O então presidente eleito Jair Bolsonaro afirmou ter influenciado a decisão, comunicando seu desejo ao futuro ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Bolsonaro mencionou preocupações com o projeto Triplo A, um corredor ecológico ligando a região da Cordilheira ao Atlântico, que poderia afetar a soberania brasileira na área.
Na COP 26 em Glasgow, em 2021, o Brasil passou por uma troca no Ministério do Meio Ambiente. O novo ministro, Joaquim Leite, manteve a promessa de cobrar mais de R$ 500 bilhões prometidos por países ricos. A atuação de Leite em Glasgow foi considerada discreta. Após a conferência, o Itamaraty avaliou que o Brasil contribuiu para o entendimento global sobre o clima, com negociadores brasileiros atuando de forma colaborativa na busca por consensos. O Itamaraty também afirmou que as soluções para os problemas do clima passam por desenvolvimento sustentável, neutralidade de emissões e aumento na capacidade de adaptação.
Fonte: ultimosegundo.ig.com.br