O Irã passou a utilizar o Estreito de Ormuz como uma “arma econômica” em meio a guerra que o país trava com os Estados Unidos e Israel. Somente nesta quarta (11), os iranianos atacaram três embarcações que tentavam cruzar a região e, desde o início do conflito, outros 11 foram atingidos – totalizando 14 embarcações.
Um dos ataques atingiu uma embarcação com bandeira tailandesa, deixando três pessoas desaparecidas. Segundo a Guarda Revolucionária Islâmica, o navio ignorou avisos e insistiu em uma travessia ilegal.
Em declaração à imprensa, o exército do país reforçou que quaisquer navios ligados aos Estados Unidos e a Israel serão considerados alvos legítimos. E disse para o mundo se preparar para o preço do petróleo acima de US$ 200 por barril.
“Nós nunca vamos permitir que nem uma mísera gota de petróleo passar pelo Estreito de Ormuz para o benefício dos Estados Unidos, ao regime sionista ou seus parceiros”, afirmou Ebrahim Zolfaqari, porta-voz das forças armadas.
Teerã também iniciou o processo de instalação de minas no local, segundo apuração da CNN. No entanto, os próprios iranianos temem o resultado econômico que isso pode gerar. De acordo com o Instituto para o Estudo da Guerra (ISW, na sigla em inglês), o país colocou – até o momento – menos de dez explosivos no estreito, sendo que tem mais de 6 mil peças em estoque.
“Enquanto o Irã está disposto e é capaz de ‘minar’ a região, ele se mantém hesitante em meio aos enormes custos políticos e econômicos que isso acarretaria”, aponta o relatório.
Os americanos reportaram que destruíram 28 navios que estavam instalando esses dispositivos. Mesmo diante do cenário incerto, o presidente dos EUA, Donald Trump, insiste que a passagem por Ormuz está segura e que empresas devem utilizá-la normalmente.
“Olha, destruímos quase todos os seus navios que instalavam essas minas em uma noite. Mas todos os seus navios, quase toda a sua marinha, desapareceram no fundo do mar”, apontou o republicano.
A tensão resulta em instabilidade no mercado. O preço do petróleo segue numa montanha-russa, com altas fortes e quedas bruscas. Nesta quarta-feira (11), o barril do tipo Brent ficou grande parte do dia acima dos US$ 90 — antes da guerra o valor estava em US$ 72.
Tentando segurar os preços, a AIE (Agência Internacional de Energia) anunciou que países membros vão liberar 400 milhões de barris do combustível no mercado global. Essa é a maior operação emergencial da história. A associação, no entanto, reconhece que a medida pode não ser suficiente — especialmente dependendo da duração do conflito.
“Esta é uma ação importante que mira aliviar os impactos imediatos da disrupção nos mercados. Mas, para ser claro, o mais importante para o retorno de fluxos estáveis de petróleo e gás é a retomada do trânsito pelo Estreito de Ormuz”, afirmou o diretor-executivo da AIE, Fatih Birol.
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Fonte : CNN