A Polícia Federal abriu inquérito para investigar a trend “caso ela diga não”, que viralizou nas redes sociais com vídeos de homens simulando agressões a mulheres caso elas recusassem pedidos de casamento. Em entrevista ao Bastidores CNN, o delegado da PF, Flávio Rolim, disse que as postagens surgiram originalmente em 2024, apesar de terem ganhado notoriedade apenas recentemente.
“A corporação constatou que essas postagens se iniciaram ainda no ano de 2024. Várias das referências que foram veiculadas e revividas recentemente foram postadas entre 2024 e 2025, o que demonstra efetivamente algum gap na questão da moderação pelas próprias plataformas“, explicou o delegado.
A evolução do discurso de ódio nas redes
Segundo Rolim, o conteúdo violento nas redes sociais segue um ciclo perigoso que começa de forma sutil. “Muitas vezes o primeiro contato com esse conteúdo se dá ainda em um tom de brincadeira, muitas vezes veiculado por meio de memes”, explicou.
O delegado alerta para um processo de “normalização da violência“, especialmente entre os jovens. “O que era meme passa efetivamente a uma cultura de ódio, e o que era uma cultura de ódio passa efetivamente a ações voltadas a segregar, a negar os espaços de diálogos e, em situações extremas, até incitação e prática efetiva de atos de violência”.
Responsabilidade compartilhada
Segundo Roli, a atuação da PF é extremamente necessária, mas é preciso de outros pontos de atenção, especialmente por parte das plataformas. “O ideal seria que esse conteúdo nem tivesse sido veiculado”, destacou.
O delegado mencionou que, após ser notificada pela corporação, a plataforma onde os conteúdos foram publicados agiu rapidamente para removê-los.
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Fonte : CNN