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A recuperação extrajudicial ganhou destaque no mercado financeiro brasileiro após grandes empresas optarem por esse mecanismo para reorganizar suas dívidas. Depois do GPA (Grupo Pão de Açúcar) anunciar acordo com 46% de seus credores, a Raízen, joint venture entre Cosan e Shell, comunicou ao mercado que buscará reestruturar sua dívida de R$ 65,1 bilhões.

Rodrigo Gallegos, especialista em reestruturação e sócio da consultoria RGF, explica que existem duas grandes ferramentas de negociação para empresas em dificuldades financeiras: a recuperação judicial e a extrajudicial. “A grande diferença entre a recuperação judicial e a extrajudicial é que na recuperação judicial você engloba todos os créditos, ou seja, todas as dívidas que a empresa tem“, esclarece.

Como funciona cada modalidade

Na recuperação judicial, considerada mais ampla, a empresa inclui todos os tipos de dívidas: trabalhistas (colaboradores), fornecedores e instituições financeiras. Esse mecanismo é utilizado quando a empresa já está numa situação crítica e precisa fazer uma renegociação total de todas as suas obrigações.

Já na recuperação extrajudicial, opção escolhida pela Raízen e pelo GPA, a empresa consegue selecionar apenas um grupo específico de credores para negociar. No caso da Raízen, foram selecionadas apenas as dívidas com instituições financeiras, mantendo os pagamentos normais para fornecedores e colaboradores.

“Ela vai selecionar somente esses valores aqui das instituições financeiras e fazer o alongamento delas, negociações, para esse grupo em específico. Enquanto a operação continua conseguindo fazer os pagamentos e manter todo o resto da operação da empresa”, detalha Gallegos.

Vantagens e impactos no mercado

A principal vantagem da recuperação extrajudicial é garantir a continuidade operacional da empresa. Ao manter os pagamentos em dia com fornecedores e colaboradores, a empresa sinaliza positivamente ao mercado que continuará operando normalmente.

Porém, Gallegos alerta para possíveis efeitos colaterais no setor como um todo: “A gente vai ver, provavelmente nos próximos meses, um endurecimento ainda maior. Entrando ainda mais um grupo deste porte, um grupo que tem uma movimentação tão forte da economia também na parte do setor do agro, a gente vai ver os bancos e instituições financeiras com uma lupa muito maior sobre o setor“.

O especialista prevê que o crédito poderá ficar mais caro e restrito, especialmente para empresas do setor do agronegócio, que já vem enfrentando aumento de inadimplência. As instituições financeiras tendem a ficar mais cautelosas na concessão de novos créditos para empresas relacionadas ao setor ou que tenham correlação direta com a Raízen.

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Fonte : CNN

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