A Starship da SpaceX acumulou pelo menos dois anos de atrasos no desenvolvimento desde que a Nasa escolheu o foguete para pousar na Lua com astronautas, e espera-se que precise de mais tempo para superar os obstáculos restantes antes de pousar, disse a agência na terça-feira (10).
A Nasa tem trabalhado com diversas empresas, principalmente a SpaceX de Elon Musk e a Blue Origin de Jeff Bezos, em seu programa Artemis, que custou bilhões de dólares, para dar início a missões rotineiras de astronautas à Lua.
A agência precisa fazer isso antes que a China envie suas próprias tripulações à superfície lunar por volta de 2030.
Os crescentes atrasos no desenvolvimento da Starship pela SpaceX, escolhida como a primeira espaçonave do programa para levar astronautas da Nasa à superfície lunar, têm gradualmente adiado o que originalmente era uma meta de pouso na Lua em 2024 – embora as autoridades da época tenham tratado 2024 com ceticismo.
Entre os passos mais desafiadores no caminho da Starship para se tornar um módulo de pouso lunar certificado para astronautas, disse o inspetor-geral em seu relatório de terça-feira, está a exigência de que o foguete se reabasteça no espaço antes de percorrer o restante do trajeto até a Lua, um processo arriscado e delicado que nunca foi tentado em tal escala.
Para que uma única Starship consiga pousar uma tripulação de astronautas na Lua, a SpaceX precisará primeiro lançar mais de 11 outras Starships em órbita da Terra, que funcionarão como tanques de reabastecimento. Uma dessas Starships servirá como depósito de propelente, exigindo que mais de 10 Starships sejam abastecidas com combustível suficiente para ser transferido à Starship que pousará na Lua.
Com altura superior a um prédio de 15 andares, a Starship é abastecida por aproximadamente 1.200 toneladas métricas de metano líquido e oxigênio líquido, dois propelentes altamente explosivos que devem ser mantidos em temperaturas criogênicas, ou seja, temperaturas abaixo de −150 °C (−238 °F).
Acoplar as naves Starship e transferir cuidadosamente propelentes super-resfriados pelo menos 10 vezes na órbita baixa da Terra, uma região do espaço vital política e comercialmente, com um nível altíssimo de tráfego de satélites, estaria entre os desafios mais arriscados para uma empresa que rotineiramente realiza pousos de foguetes em órbita e lançamentos de astronautas para a Estação Espacial Internacional.
Segundo o relatório, os responsáveis da Nasa que supervisionam o desenvolvimento da Starship da SpaceX “consideram a demonstração da transferência de propelente criogênico um dos desafios técnicos mais significativos enfrentados” pela SpaceX.
“A Nasa está monitorando um dos principais riscos: que algumas das tecnologias e capacidades criogênicas que a SpaceX está desenvolvendo não estejam suficientemente maduras” antes do pouso na Lua em 2028, segundo o relatório.
Veja imagens da missão Artemis II
A SpaceX lançou seu sistema Starship 11 vezes desde 2023 em uma série de voos de teste acompanhados de perto por funcionários da Nasa.
No mês passado, a Nasa adicionou uma missão de teste Artemis extra e reconheceu os desafios técnicos que seus contratados enfrentam no âmbito do programa lunar Artemis, no qual a SpaceX levará humanos à Lua em duas missões a partir de 2028, seguidas por pousos tripulados semelhantes realizados pela Blue Origin, de Jeff Bezos.
A agência manteve 2028 como a data prevista para o pouso da Starship na Lua.
source
Fonte : CNN