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O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto falou à imprensa pela primeira vez após a morte de sua esposa, a também policial militar, Gisele Alves Santana, nesta terça-feira (11). A mulher foi encontrada morta em seu apartamento no dia 18 de fevereiro, na região do Brás, Centro de São Paulo.

Em uma entrevista ao programa Balanço Geral, da Record, o oficial negou ter assassinado a companheira e reiteriou o suicídio da ex-companheira.

Geraldo afirmou que não assiste televisão há 20 dias por estar sendo atacado com inverdades e diz estar sofrendo um linchamento virutal.

Marcas no pescoço

O oficial reiterou a versão de que o casal dormia em quartos separados há cerca de oito meses e que, na manhã do crime, comunicou à Gisele o desejo de se separar.

Segundo ele, ela teria se exaltado, o empurrado para fora do quarto e batido a porta com força. O tenente-coronel alega que foi tomar banho e, após ouvir um estrondo, encontrou a esposa caída na sala.

Para justificar a acusação de que teria demorado a acionar o socorro, ele disse que a vizinha que cravou o horário do disparo “poderia estar sonolenta e ter visto o horário errado no relógio”, garantindo que ligou para o socorro em 20 segundos.

Questionado sobre o laudo da exumação que apontou lesões no rosto e pescoço da vítima, compatíveis com pressão de dedos e unhas, Geraldo alegou que as marcas podem ter sido causadas pelo fato de Gisele possivelmente ter carregado a filha de 7 anos no colo durante um passeio em um parque de diversões no dia anterior. O oficial ainda se defendeu dizendo: “Eu não tenho unhas, roo unhas desde criança”.

Em relação à vítima, o tenente-coronel declarou que a policial “surtou, provavelmente”, acrescentando que “ninguém dá um tiro na cabeça se não estiver surtado”. Ele também afirmou não saber o motivo que a teria levado a tirar a própria vida.

Vídeo feito por IA e relacionamento abusivo

Sobre o histórico de relacionamento abusivo denunciado pela família, o PM negou as acusações, dizendo que Gisele andava “parecendo uma Barbie”.

A família também o acusa de ter enviado um vídeo ameaçando se matar com uma arma na cabeça caso ela o deixasse. Na entrevista, o tenente-coronel surpreendeu ao afirmar que o vídeo em questão foi feito por inteligência artificial.

Ele também tentou justificar a mensagem em que repreendia um primo da vítima nas redes sociais, alegando que foi a própria Gisele quem pediu para que ele mandasse o texto. O oficial afirmou que a esposa tinha “uns 10 amores platônicos”, completando: “Eu era o 01”.

Os banhos, o sangue e a limpeza da cena

Sobre o fato de não ter prestado os primeiros socorros à esposa, justificou não ter materiais disponíveis e que seu conhecimento técnico determinava que não mexesse no corpo.

Em relação ao banho que tomou no apartamento após a saída do resgate, atitude que contrariou as ordens de preservação do local, o tenente-coronel disse que começou a passar mal, tomou dois comprimidos e foi “orientado por alguém que não se recorda” a tomar banho.

Ao ser confrontado com o depoimento de policiais militares que afirmam ter tentado impedi-lo, ele afirmou que os soldados podem dizer o que quiserem no depoimento e não necessariamente seria verdade.

Ele confirmou ter acionado o desembargador Marco Antônio Cogan logo após o crime, mas justificou que não ligou “para o desembargador”, mas sim “para um grande amigo” que tem há mais de 30 anos.

Sobre marcas de sangue no banheiro do corredor, ele responsabilizou as equipes de resgate, afirmando que um dos bombeiros pisou no sangue e foi ao banheiro com os pés sujos.

Já sobre a limpeza do apartamento horas após a morte, por policiais femininas, o oficial disse: “Pensando no bem-estar dos pais da Gisele, meu comandante pediu para alguns policiais irem ao local, após a liberação da perícia”.

O tenente-coronel afirmou, ainda, que o advogado da família da vítima “está construindo uma narrativa” contra ele e disse que cuidava da filha de Gisele como se fosse sua própria filha.

 

*Sob supervisão de Pedro Osorio

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Fonte : CNN

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