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Os preços do petróleo se recuperam nesta quarta-feira (11), com os mercados duvidando que o plano anunciado pela ​Agência Internacional de Energia (AIE) de liberar reservas recordes de ​petróleo pudesse compensar os possíveis impactos no abastecimento decorrentes do conflito entre os EUA, Israel e o Irã.

Por volta das 13h20, os futuros do Brent eram negociados em alta próxima de 5%, a US$ 92 por barril. Enquanto o West Texas Intermediate (WTI) dos EUA também subia cerca de 5%, para US$ 87.

Os países membros da AIE concordaram unanimemente em liberar 400 milhões de barris de petróleo no mercado global – a maior liberação de reservas emergenciais de petróleo da história. Trata-se de uma medida destinada a reforçar o fornecimento de petróleo bruto e conter a alta dos preços causada pela guerra no Oriente Médio.

“Os países da AIE disponibilizarão 400 milhões de barris de petróleo ao mercado para compensar a perda de oferta devido ao fechamento do Estreito de Ormuz”, declarou o diretor-executivo da AIE, Fatih Birol, em um pronunciamento ao vivo transmitido pelo site da agência.

“Esta é uma ação importante que visa aliviar os impactos imediatos da interrupção nos mercados. Mas, para sermos claros, o mais importante para o retorno a fluxos estáveis ​​de petróleo e gás (natural) é a retomada do trânsito pelo Estreito de Ormuz”, acrescentou Birol.

Impacto no mercado

O volume recorde de 400 milhões de barris de petróleo acordado pela AIE supera os 182 milhões de barris de petróleo que os países colocaram no mercado em 2022, quando a Rússia invadiu a Ucrânia.

A medida, porém, pode não ser suficiente, dependendo da duração da guerra e dos impactos diretos na navegação pelo Estreito de Ormuz – responsável por cerca de um quinto da produção global diária de petróleo, mas atualmente intransitável para petroleiros por questões de segurança.

A liberação atual das reservas emergenciais pode ser “insignificante” em comparação com os aproximadamente 15 milhões de barris por dia de petróleo bruto e outros derivados “presos no Estreito de Ormuz”, escreveu Amrita Sen, fundadora da empresa de inteligência de mercado Energy Aspects, em uma nota antes do anúncio da AIE, que já havia sido divulgado pela mídia. Outras estimativas apontam para um volume bloqueado de 20 milhões de barris por dia.

Sen acrescentou que 400 milhões de barris “seriam absorvidos em 25 dias”, o que não compensa a perda de oferta e “deixa poucas opções para conter os preços”.

Durante a manhã, fontes familiarizados com o assuntos disseram à Reuters que a liberação de reservas proposta pela AIE excederia os 182 milhões de barris de petróleo que ⁠os países membros da AIE colocaram ​no mercado em 2022.

Antes do anúncio de liberação dos 400 milhões barris, os analistas do Goldman Sachs disseram aos clientes que uma ⁠liberação de estoque desse tamanho [cerca de 182 milhões de barris] compensaria 12 dias da interrupção das exportações ​do ‌Golfo, estimada pelo banco de investimentos em 15,4 milhões de barris por dia.

Os EUA e Israel ⁠bombardearam o Irã na terça-feira (10) com o que o Pentágono e os iranianos chamaram de ataques aéreos mais intensos da guerra.

Os militares dos EUA também “eliminaram” 16 embarcações iranianas que colocavam minas perto do ‌Estreito ⁠de Ormuz na terça-feira, ‌disse o Comando Central dos EUA, já que o presidente dos EUA, Donald Trump, alertou que qualquer mina colocada no Estreito pelo Irã deve ser removida imediatamente.

Alguns analistas mostraram-se céticos quanto à ⁠proposta da AIE e seu impacto sobre os ⁠preços do petróleo.

“Movimentos como a liberação do SPR da AIE não são a solução para a crise. A evolução dos ‌preços do petróleo dependerá da duração da guerra com o Irã”, disse Suvro Sarkar, líder da equipe do setor de energia do DBS.

Os riscos de alta dos preços no curto prazo serão “controlados por meio de movimentos periódicos de sinalização estratégica, como vimos nos últimos dias, ‌para acalmar os mercados”, acrescentou Sarkar.

As autoridades do G7 também se reuniram para discutir uma possível liberação de estoques emergenciais de petróleo para amenizar o impacto no mercado.

Trump tem dito repetidamente que os EUA estão preparados para escoltar navios-tanque pelo Estreito de ​Ormuz quando necessário. No entanto, fontes disseram à Reuters que a Marinha dos EUA recusou pedidos do setor de transporte marítimo para escoltas militares, pois o risco de ataques é muito alto por enquanto.

*Com informações da Reuters 

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Fonte : CNN

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