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A safra brasileira de cana-de-açúcar 2026/27 deverá atingir 635 milhões de toneladas, segundo estimativas apresentadas pela consultoria Datagro durante a 10ª Abertura de Safra de Cana, Açúcar e Etanol, realizada em Ribeirão Preto. O evento reuniu representantes de 187 usinas, responsáveis por cerca de 75% da produção nacional de açúcar e 78% da produção de etanol, além de 11 biorrefinarias de milho que respondem por 88% do etanol de milho produzido no país. 

De acordo com o presidente da Datagro, Plínio Nastari, o Brasil deverá destinar 48% da cana para a produção de açúcar, resultando em aproximadamente 40,7 milhões de toneladas do produto. Já a produção de etanol está estimada em 38,42 bilhões de litros, sendo 14,57 bilhões de litros de etanol anidro e 23,85 bilhões de litros de hidratado. Na comparação com a safra anterior, as projeções indicam queda de 2,2% na produção de açúcar e leve redução de 0,2% no etanol. 

O cenário internacional, no entanto, é considerado desafiador. O pesquisador do IAC (Instituto Agronômico de Campinas)  Heitor Cantarella destacou que o mercado enfrenta forte incerteza geopolítica, especialmente em razão do conflito envolvendo o Irã, que eleva os preços de combustíveis e aumenta a preocupação com a segurança energética global. “Fazer previsões nesse ambiente é mais difícil”, afirmou. 

No Brasil, as condições dos canaviais apresentam melhora em relação ao ano passado, sobretudo nas áreas de primeiro terço do ciclo, com recuperação em regiões como São José do Rio Preto e Ribeirão Preto, além de menor infestação de plantas daninhas. Ainda assim, especialistas avaliam que a situação geral dos canaviais é ligeiramente inferior à registrada na safra passada, e as chuvas nas próximas semanas serão determinantes para o desempenho da colheita. 

Levantamento da Datagro indica que 25% das usinas devem iniciar a colheita em março, enquanto 54% pretendem começar na primeira quinzena de abril. A expectativa é que todo o setor esteja em operação até o final de abril. 

No mercado de combustíveis, os preços do etanol seguem firmes. O etanol hidratado ao produtor em São Paulo está próximo de R$ 3 por litro, livre de impostos, enquanto o anidro gira em torno de R$ 3,29 por litro. Ao mesmo tempo, a gasolina e o diesel apresentam defasagem estimada em 30% e 35%, respectivamente, em relação aos preços internacionais. 

O consumo de etanol hidratado desacelerou em janeiro, mantendo-se em cerca de 1,6 bilhão de litros por mês, mas a Datagro avalia que há espaço para recuperação. O crescimento da frota flex pode gerar demanda adicional de até 3 bilhões de litros até 2026. Atualmente, o Brasil já substitui cerca de 45,6% da gasolina por etanol, consolidando o biocombustível como peça central da matriz energética do país. 

Nos últimos três anos, a produção brasileira de açúcar permaneceu relativamente estável, em torno de 43,8 milhões de toneladas, enquanto a produção de etanol cresceu cerca de 10 bilhões de litros, praticamente absorvidos pelo mercado interno. 

O setor também observa com atenção os estoques. Dados da consultoria indicam que os estoques de etanol estavam 23% menores em 31 de janeiro, suficientes para 49 dias de consumo, enquanto os de etanol anidro eram 19% inferiores, cobrindo cerca de 53 dias de demanda. 

Mercado mundial  

No mercado mundial de açúcar, o acompanhamento realizado pela Datagro em 122 países aponta para um déficit de cerca de 800 mil toneladas na safra 2025/26, resultado principalmente de dificuldades na produção da Índia. Para 2026/27, a consultoria projeta um déficit ainda maior, de 2,7 milhões de toneladas. 

Durante o evento, o pesquisador Heitor Cantarella foi homenageado por suas contribuições científicas. Ele foi incluído em um ranking da Stanford University que lista os 2% de cientistas mais influentes do mundo, reconhecimento por pesquisas relacionadas ao manejo do nitrogênio no solo. 

Ao lembrar os 47 anos do Programa Nacional do Álcool (Proálcool), especialistas ressaltaram que o etanol continua sendo um importante instrumento de segurança energética. Mesmo em cenários de conflito internacional e possíveis restrições no comércio de petróleo, a distribuição de biocombustíveis no país permanece garantida, reforçando o papel estratégico da produção brasileira. 

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Fonte : CNN

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