Jogadoras da seleção feminina do Irã que receberam oferta de asilo na Austrália podem enfrentar forte impacto emocional e dificuldades para lidar com a separação de familiares que permaneceram no país de origem, afirmou à Reuters uma jogadora de críquete que fugiu do regime do Talibã no Afeganistão.
O governo australiano concedeu na terça-feira (10) vistos humanitários a cinco atletas iranianas depois que elas pediram asilo por temer perseguição caso retornassem ao país.
Outra jogadora e uma integrante da comissão técnica aceitaram a oferta de ajuda da Austrália, mas uma delas voltou atrás e decidiu retornar ao Irã em meio à guerra aérea envolvendo Estados Unidos e Israel contra o país iraniano, informou o governo nesta quarta-feira (10).
O episódio lembrou a jogadora de críquete Tooba Khan Sawari da sensação de deslocamento que enfrentou como refugiada esportiva ao deixar o Afeganistão quando o Talibã voltou ao poder em 2021.
Sawari foi uma das várias atletas afegãs que receberam oferta de asilo na Austrália após temerem por sua segurança no Afeganistão.
Para ela, a parte mais difícil da adaptação não foi o desafio prático de aprender um novo idioma ou lidar com uma realidade desconhecida, mas sim a dor constante de estar longe de casa.
“Ser refugiada traz muita dor”, disse Sawari, hoje com 25 anos, à Reuters, em Canberra, onde vive, estuda e trabalha como treinadora de críquete.
“Todos os dias você sente falta dos seus pais, da sua família. Sente falta do tempo que passou com seus compatriotas. Até da comida que você comia no seu país — você sente falta de cada pequena coisa. Não é fácil lidar com tudo sozinha, sem nenhum apoio familiar”.
“Isso pode significar muita depressão… Eu achei muito difícil”, acrescentou.
Conexão com o esporte
Para atletas refugiados, manter a conexão com o esporte pode ajudar a lidar com sentimentos de confusão e ansiedade provocados pelo deslocamento, afirmou Catherine Ordway, advogada especializada em direito esportivo e pesquisadora que ajudou jogadoras afegãs de críquete a se estabelecerem na Austrália.
“Para as jogadoras de críquete, isso foi extremamente importante”, disse Ordway, pesquisadora visitante da UNSW Business School, em Canberra.
“Isso também será importante para as jogadoras iranianas… Elas certamente serão orientadas por seus advogados e pelos contatos comunitários que já fizeram. Depois disso, poderão começar a explorar as opções de equipes de futebol”.
Sawari afirmou que passou anos em acompanhamento psicológico após chegar à Austrália para lidar com o impacto emocional do exílio.
Embora tenha elogiado o governo australiano pelo apoio a ela e às ex-companheiras da seleção afegã durante o processo de reassentamento, a atleta alertou que a adaptação das jogadoras iranianas deve levar tempo.
“Não é fácil viver em um país quando você não conhece o idioma ou a cultura”, disse. “É muito difícil aceitar que você está vivendo em outro lugar”.
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Fonte : CNN