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Mulheres estão no centro das tensões e reflexões de “Dona Beja”. Durante uma entrevista à CNN, as atrizes Erika Januza, 40, Thalma de Freitas, 51, Indira Nascimento, 35, e Deborah Evelyn, 59, explicaram como suas personagens ajudam a revelar diferentes visões de mundo dentro da novela de época — muitas delas, inclusive, próximas de debates atuais.

Para Erika Januza, a força da narrativa está justamente nas experiências distintas das personagens. Segundo a atriz, cada mulher ocupa um lugar social específico e, por isso, enxerga a realidade de forma muito diferente.

Falando sobre sua personagem, Candinha, que vive em um grupo social oprimido, Januza disse que aos poucos ela percebe que não precisa aceitar esse papel. Para a atriz, a trama acompanha justamente o processo de descoberta dessas mulheres sobre a própria força e sobre como se posicionar em uma sociedade cheia de regras e hierarquias.

“Cada personagem tem uma vivência diferente. Essas histórias vão circular por lugares e experiências muito distintas”, explicou. Para ela, a novela não busca apenas entreter, mas também provocar reflexão sobre preconceitos, medos e valores que muitas vezes permanecem escondidos.

“Talvez um personagem diga em voz alta coisas que muitas pessoas pensam, mas não têm coragem de falar”, complementou.

Thalma de Freitas destacou o papel político de sua personagem, Josefa. Na visão da atriz, a família da personagem representa uma tentativa de transformação social por meio das instituições e das leis.

Segundo ela, Josefa e seus familiares acreditam que mudanças profundas na sociedade acontecem pela transformação do sistema. Por isso, os embates do núcleo são essencialmente políticos. “Eles querem preparar o terreno para que seus descendentes tenham uma vida melhor”, disse ela.

Para Indira Nascimento, a trajetória de Maria revela outro conflito importante da trama: o peso das expectativas sociais.

A atriz afirma que a personagem vive o desafio de corresponder ao que os outros esperam dela. Esse esforço constante para se encaixar pode ter consequências profundas.

“Às vezes é muito difícil responder às expectativas impostas e às que a gente cria para si mesmo”, contou. Segundo ela, a história de Maria também levanta um debate sobre saúde mental e sobre o custo emocional de tentar viver dentro de padrões que nem sempre refletem quem realmente somos.

Entre as personagens femininas, uma das perspectivas mais contrastantes é a de Ceci, vivida por Deborah Evelyn.

Ao contrário de outras figuras da trama, a personagem representa a defesa da ordem social vigente. Para ela, a sociedade funciona exatamente como deveria, com cada grupo ocupando o lugar que lhe foi atribuído. “Ela quer que tudo continue como está. Cada um no seu lugar”, explicou a atriz.

Deborah destacou um detalhe simbólico: mesmo pertencendo a uma classe social privilegiada, Ceci não sabe ler — algo que revela as limitações impostas às mulheres na época.

Assim, segundo a atriz, a personagem se torna uma defensora ferrenha do conservadorismo e se coloca contra qualquer tentativa de mudança que ameace o equilíbrio social do qual ela se beneficia.

Sobre “Dona Beja”

A narrativa da HBO Max explora empoderamento, desejo e vingança, revivendo a trajetória da cortesã, Ana Jacinta – conhecida como Dona Beja — que desafiou convenções em Araxá.

O elenco é composto por Grazi Massafera, David Junior, André Luiz Miranda, Pedro Fasanaro, Bianca Bin, Deborah Evelyn, Indira Nascimento, Bukassa Kabengele, Otavio Muller, Isabela Garcia, Erika Januza, Tuca Andrada, Kelzy Ecard, Werner Schunemann, Thalma de Freitas, Gabriel Godoy, Ricardo Burgos, Catharina Caiado, Lucas Wickhaus, Luciano Quirino, João Villa, Rita Pereira, Simone Mazzer, Isabelle Nassar, Nikolas Antunes, Eduardo Pelizzari, Arilson Lucas, Paulo Mendes e Miguel Rômulo, entre outros.

Grazi Massafera revela a cena mais marcante de gravar para “Dona Beja”

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Fonte : CNN

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