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De olho em como aproveitar áreas degradadas no Brasil, a pesquisadora da Embrapa, Mariangela Hungria, quer explorar seus estudos nesta direção, ampliando seu legado científico da soja à recuperação de pastagens. Em entrevista ao CNN Agro, a engenheira agrônoma frisa que estudos já mostram resultados promissores no uso de microrganismos para recuperar a saúde do solo.

“Hoje, entre 50% e 60% das pastagens estão em algum estágio de degradação. Essa área equivale praticamente a toda a área ocupada por culturas agrícolas no Brasil”, afirma.

Para ela, recuperar essas áreas pode transformar a produção agropecuária do país e até “dobrar a produção nacional sem derrubar nenhuma árvore”. O Brasil reúne condições para avançar também na chamada agricultura regenerativa, acrescenta, por meio de tecnologias desenvolvidas para agricultura tropical, programas governamentais de incentivo e a crescente preocupação dos produtores com a saúde do solo.

Segundo ela, a maioria dos agricultores já reconhece os impactos das mudanças climáticas e busca formas de produzir de maneira mais sustentável. “Nós temos capacidade de nos tornar líderes globais em agricultura regenerativa”, aposta.

A décima mulher a ser laureada com o Prêmio Mundial de Alimentação – World Food Prize (WFP) -, reconhecido como o “Nobel da Agricultura” – acredita no protagonismo brasileiro para avançar em produtividade em terrenos degradados. A pesquisadora afirmou que sempre foi dedicada à ciência e à pesquisa desde a infância e, apesar de citar que “jamais imaginou receber o prêmio”, especialmente por vir de um país que ainda investe pouco em pesquisa científica, se mostra otimista em relação ao futuro da pesquisa agropecuária.

“Eu sempre dediquei minha carreira e minha vida a algo que parecia improvável, como os microbiológicos”, afirma. Quando iniciou sua trajetória, há cerca de 40 anos, o setor vivia o auge dos insumos químicos, o que tornava a aposta nos biológicos ainda mais desafiadora, mas o investimento público em ciência ajudou a explorar o segmento.

E o resultado desse esforço é que o Brasil hoje se tornou líder na adoção de insumos biológicos na agricultura, diz.

Salto em biológicos depende de alcance de pequeno e médio produtor

Apesar da liderança global, ela observa que o uso desses produtos ainda representa uma fatia pequena do mercado agrícola. Segundo a pesquisadora, atualmente os biológicos respondem por cerca de 10% da adoção de insumos no campo.

Ainda assim, ela afirma que novas soluções já disponíveis podem acelerar esse avanço. “Hoje temos na prateleira tecnologias capazes de fazer esses 10% saltarem para 50%”, disse. Para ela, os principais entraves hoje estão na distribuição e na ampliação da adoção desses produtos pelos agricultores.

A pesquisadora também ressalta que a liderança brasileira no uso de biológicos ainda está concentrada entre grandes produtores, especialmente nas culturas de soja e milho. Ela afirma, porém, que há soluções já desenvolvidas para mais de 100 culturas agrícolas.

Outro desafio, segundo ela, é ampliar o acesso em diferentes regiões do país. Atualmente, os insumos biológicos ainda chegam de forma limitada a áreas do Norte e do Nordeste.

“O pequeno e médio produtor é quem mais pode se beneficiar dos biológicos, tanto em lucratividade quanto em produtividade. Também precisamos chegar a outras regiões”, afirmou.

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Fonte : CNN

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