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A indústria de alimentos projeta crescer entre 2% e 2,5% neste ano, em relação a 2025, impulsionada pela continuidade da demanda doméstica e pela recuperação gradual do mercado internacional.

Do ponto de vista da oferta, a manutenção da safra 2025/26 contribui para assegurar o abastecimento de matérias-primas, segundo a Abia (Associação Brasileira da Indústria de Alimentos). 

Por outro lado, a alta dos preços das embalagens continua sendo fator de pressão de custo.

A geração de empregos deve acompanhar esse movimento, com alta prevista entre 1% e 1,5%, mantendo o setor como um dos principais motores de ocupação na indústria brasileira.

“Em 2026, a combinação de estabilidade da safra, redução gradual dos juros e um ambiente econômico de crescimento moderado, no Brasil e no mundo, cria condições mais previsíveis para o planejamento e o investimento. Ainda haverá desafios, especialmente do lado dos custos, mas o setor entra nesse ciclo com bases sólidas para crescer de forma sustentável, gerar empregos e seguir cumprindo seu papel estratégico no desenvolvimento do país”, diz o presidente executivo da ABIA, em nota, João Dornellas. 

Crescimento em 2025

No ano passado, a atividade industrial no setor de alimentos e bebidas faturou R$ 1,4 trilhão, com alta de 8,02% em relação ao ano anterior, somando vendas internas e externas.

O setor manteve sua relevância econômica, respondendo por 10,9% do PIB nacional.

O grande destaque do ano foi o mercado interno, que respondeu por R$ 1,02 trilhão, sendo R$ 732 bilhões decorrentes do varejo e R$ 287,9 bilhões do food service, que vem retomando sua fatia de participação, com crescimento nominal de 8,4% e 10,1, respectivamente.

O comportamento da demanda doméstica foi determinante para sustentar o crescimento real das vendas, que avançaram 2,2%. O resultado reflete a recomposição gradual do consumo das famílias, o avanço do consumo fora do lar e os ganhos de eficiência obtidos pelas empresas ao longo do ano. A produção física da indústria atingiu 288 milhões de toneladas, alta de 1,9%.

Parceria com o campo

No campo, a indústria manteve sua posição estratégica como principal cliente da agropecuária nacional, adquirindo 62% de toda a produção agropecuária brasileira e 68% da produção da agricultura familiar.

“Somos o maior parceiro do campo e esse elo se manteve forte em 2025, garantindo previsibilidade para o produtor rural, fortalecendo sua renda e ampliando a capacidade de escoamento da produção agrícola nacional. O bom desempenho do setor é também um reflexo desse trabalho integrado, que beneficia produtores, indústrias, trabalhadores e consumidores”, avalia Dornellas.

Exportações 

No que diz respeito às vendas externas, a indústria brasileira de alimentos e bebidas cresceu 0,7% em 2025, alcançando US$ 66,73 bilhões.

A Ásia permaneceu como principal destino, somando US$ 27,4 bilhões e 41,1% das vendas externas, com destaque especial para a China, que representou 19% das exportações e registrou alta de 28,4% no ano. A Liga Árabe manteve forte relevância, com US$ 10,3 bilhões e participação de 15,4%, enquanto a União Europeia foi responsável por US$ 8,7 bilhões, equivalente a 13% do total exportado. Já os Estados Unidos importaram US$ 4,9 bilhões em produtos brasileiros, com crescimento de 9,2%, mesmo diante das elevações tarifárias aplicadas ao setor.

Como resultado, o setor obteve um saldo comercial de US$ 57,5 bilhões, responsável por 84,2% de todo o superávit da balança comercial brasileira.

Investimentos

Segundo a Abia, para sustentar o crescimento e ampliar a competitividade, as empresas do setor investiram R$ 41,3 bilhões em 2025, um avanço de 6,8% em relação ao ano anterior. A maior parte desse montante, R$ 26,7 bilhões, foi direcionada à inovação, modernização de plantas industriais e adoção de novas tecnologias, reforçando o compromisso da indústria de alimentos com ganho de eficiência e sustentabilidade.

“É importante lembrar que, em 2024, anunciamos um investimento de R$ 120 bilhões no período 2023-2026. Até o ano passado, o volume investido chegou a R$ 116 bilhões, ou seja, já realizamos cerca de 97% do nosso compromisso”, informa o presidente executivo da Abia.

Mercado de trabalho

Em 2025,  51 mil novas contratações formais foram feitas pelo setor. Elas representaram 44,6% de todos os postos criados no ano, reforçando o papel do setor na sustentação do emprego industrial.

No total, a força de trabalho direta alcançou 2,125 milhões de empregados, o que representa um crescimento de 2,4% em relação a 2024. Somando empregos indiretos – como agricultura, embalagens, equipamentos, logística e transporte – a cadeia produtiva chegou a 10,6 milhões de postos de trabalho, o equivalente a 10,3% de toda a força de trabalho ocupada no país.

 

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Fonte : CNN

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