Vitor Hugo de Oliveira Simonin, acusado de estupro coletivo contra uma jovem no Rio de Janeiro, se entregou à polícia na quarta-feira (4) usando uma camiseta estampada com a frase “regret nothing”, em tradução literal “não se arrependa de nada”.
O uso da roupa chamou atenção, para além de uma possível afronta, para o fato da oração ter sido popularizada pelo coach do movimento “Red Pill” Andrew Tate.
Tate, um britânico-americano, se autointitula como um “ultra-masculino” e é conhecido por propagar discursos e incitações de ódio contra as mulheres. Ele é ex-campeão de kickboxing e ganhou visibilidade ao participar do reality show “Big Brother”, em 2016.
Hoje, o homem tem notoriedade nas redes sociais ao mostrar uma vida luxuosa, com carros e imóveis de alto padrão. Somente no X (antigo Twitter), ele possui mais de 11 milhões de seguidores. Tate ficou famoso ao falar sobre o domínio masculino, a submissão feminina e a riqueza.
Ele ainda teve contas suspensas em outras duas redes sociais por discursos de ódio.
Além disso, o “coach Red Pill” é réu pelos crimes de tráfico humano, estupro e formação de uma gangue criminosa para explorar sexualmente as mulheres. Ele e o irmão, também acusado, negam as acusações.
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Relação com caso no RJ
Vitor Hugo de Oliveira Simonin, de 18 anos, se apresentou na 12ª Delegacia Policial (Copacabana) para prestar depoimento sobre sua participação no estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos, na zona Sul da capital.
Ele chamou a atenção por usar uma camiseta com a frase “regret Nothing” (“Não se arrependa de nada”) no dia.
A frase é comumente utilizada por grupos misógenos, que propagam discursos de ódio contra mulheres na internet. Os chamados “Red Pills” são os mais conhecidos desse ambiente virtual, em que ideologias machistas são disseminadas com a justificativa de um “despertar para a realidade”, uma referência ao filme Matrix (1999).
Quem é o acusado?
Vitor Hugo é apontado como um dos participantes diretos do estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos em um apartamento em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Ele era estudante do Colégio Pedro II, instituição que já iniciou os procedimentos para o seu desligamento.
O apartamento onde o estupro ocorreu é de propriedade da família de Vitor Hugo, embora o local não fosse utilizado como residência habitual do grupo.
Ele foi reconhecido formalmente pela vítima por meio das imagens das câmeras de monitoramento.
Adolescente apreendido e outras investigações em curso
Quatro jovens se tornaram réus por estupro de uma menor de idade e por cárcere privado.
As investigações incluem um adolescente de 17 anos, que se apresentou na 54ª DP (Belford Roxo), na Baixada Fluminense, na tarde desta sexta-feira (6). A Justiça havia autorizado, no dia anterior, um mandado de busca e apreensão contra ele.
Por se tratar de menor de idade, o procedimento foi separado do inquérito principal e encaminhado ao MPRJ (Ministério Público do Rio de Janeiro). A polícia solicitou a apreensão do adolescente por ato infracional análogo ao crime investigado, e o órgão se manifestou favoravelmente à internação após novas denúncias envolvendo o mesmo.
Paralelo ao caso de Copacabana, a Polícia Civil apura relatos de pelo menos duas outras vítimas que relataram o mesmo modus operandis do grupo.
Posição das defesas
A defesa de Vitor Hugo declarou à imprensa que o jovem nega envolvimento no crime, mas confirmou que ele estava no apartamento onde o episódio teria ocorrido. O advogado afirmou também que o cliente não foi ouvido durante a fase de investigação.
O defensor acrescentou que tomou conhecimento, nesta semana, de uma outra denúncia relacionada ao jovem, mas disse ainda não ter acesso ao conteúdo do material.
O advogado de João Gabriel informou, em nota, que o cliente nega a acusação de estupro e que confia na apuração dos fatos pela Justiça.
A defesa de Mattheus não comentou o caso. O investigado permaneceu em silêncio durante o depoimento antes de ser encaminhado ao sistema penitenciário.
A reportagem da CNN Brasil tenta contato com a defesa de Bruno Felipe dos Santos Allegretti e do adolescente citado nas investigações.
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Fonte : CNN