O USDA (Departamento de Agricultura dos EUA) fez poucas alterações em sua visão sobre o mercado de soja para 2025/26. Em seu relatório de oferta e demanda (Wasde), o órgão americano cortou em 1 milhão de toneladas sua expectativa de produção global da oleaginosa, para 427,18 milhões de toneladas.
Ainda assim, manteve a estimativa de estoques finais em 125,31 milhões de toneladas. Isso contraria as percepções de mercado. Analias previam que o USDA iria fazer um ajuste nos dados dos EUA e do mundo em relação aos estoques.
“O consumo doméstico [EUA] de óleo de soja para biocombustíveis deve ser um pouco menor, mas será compensada pelo uso em alimentos, ração animal e outros fins”, escreveu o órgão americano no texto. O USDA não contemplou os efeitos da guerra neste relatório.
No que se refere ao Brasil, o USDA continua a ignorar qualquer problema na produção do Rio Grande do Sul, por isso manteve a expectativa de colheita de soja em 180 milhões de toneladas. Os estoques finais do país também permaneceram iguais, com 37,91 milhões de toneladas.
Milho
A produção global de milho deve alcançar 1,59 bilhão de toneladas na safra 2025/26, alta de 2,7 milhões de toneladas em relação à estimativa anterior, segundo o USDA. Com isso, espera-se maior produção, comércio mais elevado e estoques finais maiores em comparação ao relatório anterior, que foi publicado no início de fevereiro.
O aumento da produção global decorre, principalmente, do crescimento da safra na Ucrânia e no Brasil, compensados por queda na Argentina.
A revisão do USDA reflete principalmente mudanças nas projeções fora dos Estados Unidos, com maior produção, aumento no comércio internacional e estoques finais mais elevados.
Para o milho americano, o cenário permanece estável. A estimativa para a safra 2025/26 não sofreu alterações em relação ao mês anterior, e o preço médio recebido pelos produtores segue projetado em US$ 4,10 por bushel.
Trigo
No que diz respeito ao trigo, o USDA manteve inalteradas as estimativas de oferta e uso do país para a safra 2025/26.
No cenário global, o USDA elevou levemente a estimativa de produção, de 841,8 milhões de toneladas em fevereiro, para 842,1 milhões de toneladas. A oferta total mundial foi projetada em 1,1 bilhão de toneladas, aumento de 0,2 milhão de toneladas em relação ao mês anterior, refletindo principalmente revisões positivas na produção da Ucrânia e do Cazaquistão, parcialmente compensadas por uma redução na Austrália, segundo o departamento.
A projeção de produção americana permaneceu em 54 milhões de toneladas, com estoques finais estimados em 25,3 milhões de toneladas.
O consumo global foi revisado para cima em 0,7 milhão de toneladas, alcançando um recorde de 824,8 milhões de toneladas, impulsionado principalmente pelo maior uso para ração e uso residual na União Europeia.
As exportações argentinas foram elevadas em 1,5 milhão de toneladas, para um recorde de 19,5 milhões de toneladas, com o USDA indicando que o trigo do país segue como o de menor preço entre os principais exportadores globais. A produção argentina foi mantida em 27,8 milhões de toneladas.
Para o Brasil, o USDA manteve a estimativa de produção em 8 milhões de toneladas. A previsão de importações, no entanto, foi reduzida de 7,3 milhões para 7,1 milhões de toneladas. Os estoques finais brasileiros foram projetados em 3,14 milhões de toneladas.
Os estoques finais globais para 2025/26 foram revisados para baixo, passando de 277,5 milhões de toneladas na estimativa anterior para 276,96 milhões de toneladas. Ainda assim, o volume permanece no maior nível dos últimos cinco anos.
Entre outros produtores, a produção da União Europeia foi mantida em 144 milhões de toneladas. A produção da Rússia permaneceu em 89,5 milhões de toneladas, enquanto a da Ucrânia foi elevada de 23 milhões para 24 milhões de toneladas.
Algodão
Sobre o algodão, o órgão americano elevou a estimativa de produção em pouco mais de 239 mil toneladas, impulsionada principalmente pelo aumento da produção no Brasil, devido à maior área plantada, e na China, em razão de rendimentos mais elevados.
Parte desse crescimento foi compensada pela redução da produção na Argentina, associada à menor área cultivada.
A estimativa de consumo global da plumal foi reduzida em 30,48 mil toneladas, refletindo menor uso pelas indústrias têxteis em diversos países. O recuo é parcialmente compensado pela expectativa de maior consumo na China.
Com essas mudanças, a projeção para os estoques finais globais foi elevada em cerca de 283 mil toneladas, alcançando 16,6 milhões de fardos.
Índia e Brasil concentram grande parte desse aumento. A relação entre estoques e consumo global para 2025/26 foi elevada em um ponto percentual em relação ao mês anterior, chegando a 64%.
Para o Brasil, a estimativa de produção foi revisada de 4,1 milhões para 4,2 milhões de toneladas. As exportações permanecem projetadas em 3,16 milhões de toneladas, enquanto os estoques finais foram elevados de 940 mil para 1,09 milhão de toneladas.
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Fonte : CNN