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Em meio à crescente tensão no Oriente Médio, Donald Trump afirmou durante entrevista à Fox News que uma conversa entre ele e o Irã é possível. A declaração ocorre em um contexto de intensificação dos conflitos na região e adiciona mais uma camada de incerteza à já confusa posição americana sobre o tema. Análise é de Américo Martins, ao CNN Novo Dia.

“As declarações do presidente Donald Trump não têm ajudado a entender o que está acontecendo no Oriente Médio ou mesmo qual seja o plano final dos Estados Unidos para essa guerra”, avaliou Américo, apontando que as manifestações do presidente americano sobre o Irã têm sido consistentemente contraditórias e confusas.

Trump tem falado extensivamente com a imprensa desde o início do conflito, concedendo entrevistas formais e informais, mas a cada aparição apresenta uma mensagem diferente sobre os objetivos dos Estados Unidos na região: “Ele não conseguiu deixar claro qual é a ambição, o objetivo final dos Estados Unidos”.

Em diversas declarações, Trump já mencionou possibilidade de mudança de regime no Irã, destruição de supostas bombas nucleares e mísseis iranianos, além de fazer afirmações exageradas sobre ameaças que o país representaria para os Estados Unidos e Europa. Em alguns momentos, sugeriu que o Irã teria mísseis capazes de atingir território americano em breve, informação para a qual não há qualquer indicação concreta.

“Ele disse que estava agindo porque havia uma ameaça imediata aos Estados Unidos, nunca conseguiu deixar claro qual foi essa ameaça. Em um momento, diz que precisa participar da escolha do novo líder, depois ameaça o líder supremo”, relatou o analista: “E isso vai mexendo em todos os aspectos dessa guerra”.

Estratégia militar indefinida

A falta de clareza nas declarações de Trump dificulta o entendimento sobre qual seria o objetivo final dos Estados Unidos no conflito. Não está definido se os americanos buscam uma mudança de regime, uma derrota total do Irã, ou se consideram a possibilidade de uma invasão – opção que o presidente não descartou em declarações anteriores.

As constantes mudanças de posicionamento afetam também os mercados financeiros, especialmente o setor petrolífero. Em um único dia, Trump chegou a afirmar que a guerra poderia acabar muito em breve, o que fez o preço do petróleo cair, para logo depois usar redes sociais para ameaçar novos ataques ao Irã, criando um ambiente de incerteza para investidores.

“Trump deixa todas as cartas na mesa e embaralha todas as cartas. Parte disso é proposital, porque ele pode decretar que já venceu a guerra, e parte disso é claramente um reflexo da falta de estratégia com que os Estados Unidos entraram na guerra”, afirmou Américo Martins.

Em contraste com a postura americana, analistas apontam que Israel mantém objetivos muito mais claros no conflito: enfraquecer o máximo possível o Irã e destruir suas capacidades militares, com a possibilidade de derrubar o regime dos aiatolás como benefício adicional caso ocorra.

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, que tem adotado uma retórica forte contra o regime iraniano, deverá conceder entrevista coletiva sobre a situação no Oriente Médio e as ações americanas na região. Contudo, especialistas não esperam que sejam apresentados detalhes sobre prazos para o fim do conflito ou impactos na questão do petróleo.

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Fonte : CNN

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