No Brasil, 72% das meninas de 16 e 17 anos já foram expostas, no último ano, a conteúdos sensíveis nas redes sociais, como automutilação, suicídio, bullying e magreza extrema. Os dados fazem parte de um estudo da Unico (rede de verificação de identidade) em parceria com a Ipsos, empresa especializada em pesquisa de mercado e opinião pública, realizado com 1.200 pais e filhos (nascidos a partir de 2008) de todas as regiões do país entre 21 de agosto e 1 de setembro de 2025 e divulgados nesta semana.
O número entre as adolescentes é maior que a média geral de 57% dos jovens ouvidos que tiveram contato com ao menos um conteúdo controverso nos últimos 12 meses. Na separação por gênero, meninas recebem mais conteúdos ligados a sofrimento, pressão estética e saúde mental, enquanto meninos são impactados por bets e pornografia. Além disso, 35% já viram conteúdos de violência extrema e 28% mentiram a idade para acessar redes sociais.
“O que a pesquisa mostra é que os adolescentes estão praticamente 100% presentes nas redes sociais, em várias plataformas ao mesmo tempo e, em muitos casos, mentindo a idade para entrar. Isso cria um ambiente em que jovens acabam expostos a conteúdos sensíveis ou inadequados com riscos para a saúde física e mental. Quando quase três em cada quatro meninas relatam contato com conteúdos ligados a sofrimento, pressão estética ou violência, fica claro que não estamos diante de casos isolados, mas de um padrão de exposição que precisa ser enfrentado”, aponta Luis Felipe Monteiro, VP Global de Relações Institucionais da Unico, à CNN Brasil.
Os números apontam que 85% desses jovens acessam a internet mais de uma vez ao dia e 96% possuem ao menos uma rede social, sendo WhatsApp (88%), Youtube (79%) e Instagram (74%) e TikTok (68%) os mais visitados. Quase um quarto (24%) deles possui ao menos um perfil alternativo nas redes.
“A internet foi construída em um momento em que não se imaginava a necessidade de comprovar quem está do outro lado da tela. Hoje, esse cenário mudou. Quando crianças e adolescentes conseguem acessar plataformas e conteúdos apenas declarando a própria idade, abre-se um espaço enorme de vulnerabilidade”, avalia Monteiro.
Os dados vêm à tona dias antes da entrada em vigor do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) Digital, no próximo dia 17, que aumenta a proteção de crianças e adolescentes nos meios digitais. Oriunda do Projeto de Lei nº 2.628, também conhecido como PL da Adultização, a proposta, aprovada no Senado em agosto do ano passado, cria regras, diretrizes e obrigações para as plataformas digitais com relação a menores de idade, como prevenir o acesso de crianças e adolescentes a conteúdos prejudiciais como pornografia, bullying, incentivo ao suicídio e jogos de azar.
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Fonte : CNN