Um estudo mostrou que 123 de 137 canais de YouTube identificados, em 2024, pelo NetLab UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), com conteúdos propagando discurso de ódio, desprezo ou aversão contra as mulheres continuam ativos na plataforma. Além disso, houve um aumento de 18,55% de inscritos nesses canais, somando mais de 23 milhões de seguidores.
O relatório “Aprenda A Evitar ‘Esse Tipo’ De Mulher”: Estratégias Discursivas E Monetização Da Misoginia No Youtube também observou que 20 canais mudaram de nome e alguns evitaram títulos com referências à chamada “machosfera”.
Em 2026, ao menos 25 mil vídeos foram publicados a mais que em 2024, totalizando 130 mil publicações com esse tipo de informação. No período inicial da pesquisa, 14 canais foram removidos, que somados correspondiam a quase 1,40 milhão de pessoas que seguem e acompanham os conteúdos.
Como a pesquisa foi realizada
A pesquisa, realizada em parceria com o Ministério da Mulheres, analisou as estratégias de monetização dos produtores de conteúdo com o uso de falas misóginas e com incitação à violência contra mulher. Além disso, foi observado como os canais geravam lucro por meio de anúncios e arrecadação de recursos com membros, por exemplo.
A pesquisa inicial combinou técnicas de análise computacional e análise qualitativa com referências de literatura especializada em misoginia e violência de gênero no ambiente digital.
Para a identificação dos conteúdos, o levantamento de dados utilizou ferramentas avançadas de inteligência artificial em mais de 76 mil publicações.
O estudo ainda informou que não há a publicação da lista de canais mapeados no estudo por segurança das pesquisadoras e para evitar a divulgação dos vídeos e a exposição dos criadores de conteúdo.
*Sob supervisão de Tonny Aranha
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Fonte : CNN