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O preço do etanol no Brasil pode voltar a subir caso a Petrobras decida reajustar o valor da gasolina nas refinarias. Historicamente, quando ocorre aumento da gasolina, tanto o etanol hidratado, usado diretamente nos veículos flex, quanto o etanol anidro, misturado à gasolina, acompanham esse movimento, muitas vezes em proporção ainda maior.

A dinâmica ocorre porque o etanol compete diretamente com a gasolina nas bombas. Assim, qualquer alteração no preço do combustível fóssil tende a influenciar as cotações do biocombustível. “Em média, quando a gasolina sobe, o etanol costuma registrar um aumento alguns pontos percentuais acima”, explica Maurício Muruci, analista da empresa de consultoria Safras & Mercado. Em um cenário hipotético de alta de 5% na gasolina, por exemplo, o preço do etanol nas usinas poderia subir entre 7% e 8%.

Mesmo assim, o mercado não espera um reajuste imediato. Na semana passada, a presidente da Magda Chambriard afirmou que não haveria mudanças nos preços da gasolina e do diesel naquele momento. A leitura de analistas é que a Petrobras, em situações de alta das cotações internacionais, costuma levar entre duas e quatro semanas para fazer ajustes, aguardando uma possível acomodação dos preços do petróleo e dos combustíveis.

Quando decide corrigir os preços internos, a companhia normalmente recompõe apenas parte da defasagem em relação ao mercado internacional. “Em geral, a estatal aplica cerca de um terço dessa diferença, estratégia utilizada para evitar oscilações bruscas no mercado doméstico”, explica Muruci.

Forças opostas no mercado de etanol

Apesar da possibilidade de alta sustentada pela gasolina, o mercado de etanol enfrenta forças opostas neste momento do ano. O início da safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul do país tende a pressionar os preços do biocombustível para baixo.

Isso ocorre por dois motivos. O primeiro é a venda dos estoques remanescentes da safra anterior. “Nesta época, as usinas costumam liquidar o etanol armazenado durante a entressafra, muitas vezes com descontos, já que o produto perde qualidade quando fica estocado por muito tempo e não pode ser misturado ao etanol recém produzido”, diz o analista.

O segundo fator é a entrada do novo volume de produção com o avanço da colheita de cana. A chegada da nova safra amplia a oferta no mercado, o que tradicionalmente exerce pressão negativa sobre os preços.

Dessa forma, o comportamento do etanol nas próximas semanas dependerá do equilíbrio entre esses vetores. De um lado, a continuidade da guerra no Oriente Médio pode gerar uma eventual alta da gasolina, o que impulsionaria o preço do biocombustível. De outro, o aumento da oferta com a nova safra tende a limitar ou até neutralizar esse movimento.

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Fonte : CNN

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