Uma interrupção histórica na produção mundial de petróleo fez com que os preços do petróleo bruto ultrapassassem a barreira dos US$ 100 nesta segunda-feira (9), pela primeira vez em quase quatro anos.
O petróleo fechou em alta nesta segunda (9), perto dos US$ 100 por barril, após atingindo o maior nível desde meados de 2022, com a guerra no Oriente Médio intensificando as pressões na oferta da commodity à medida que países da região começam a reduzir a produção.
Os preços desaceleraram ao longo do dia depois que de relatos de que ministros de Energia do G7 estudam medidas para estabilizar o mercado energético.
Negociado na New York Mercantile Exchange, o petróleo WTI, referência no mercado americano, para abril fechou em alta de 4,26%, a US$ 94,77 o barril. J
Já o Brent para maio encerrou o dia em alta de 6,76%, com o barril cotado a US$ 98,96, negociado na ICE (ntercontinental Exchange).
Mais cedo, o WTI chegou a subir 31,4%, atingindo alta de US$ 119,48 por barril, enquanto o Brent subiu até 29%, para US$ 119,50 por barril – no maior salto de todos os tempos em um único dia depois que países árabes do Golfo reduziram a produção devido ao fechamento do Estreito de Ormuz por ameaças iranianas.
A última vez que o petróleo foi negociado acima de US$ 100 foi após o ataque da Rússia à Ucrânia. O petróleo ultrapassou a marca de US$ 100 em março de 2022 e permaneceu nesse patamar até 19 de julho de 2022. Desde então, não atingiu os três dígitos.
O que está acontecendo?
A guerra com o Irã elevou os preços do petróleo por dois motivos principais: o fechamento quase total do Estreito de Ormuz e a desaceleração da produção de petróleo no Oriente Médio.
O Estreito de Ormuz é uma via navegável por onde transitam 20% do petróleo mundial, transportado por navios-tanque. O Irã ameaçou atacar qualquer navio-tanque que transite pelo Estreito. Isso levou à paralisação das coletas e entregas de petróleo na região.
A interrupção estimada de 20% no fornecimento é aproximadamente o dobro do recorde estabelecido durante a Crise de Suez de 1956-1957, de acordo com dados históricos do Rapidan Energy Group.
A guerra também acabou com a capacidade ociosa, pois a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos foram isolados dos mercados globais de petróleo. A capacidade ociosa mede o quanto da produção de petróleo poderia ser rapidamente restabelecida, se necessário, e normalmente serve como um amortecedor nos mercados de energia.
“O resultado é um mercado sem uma margem de segurança significativa. Não há um produtor de apoio para intervir”, escreveu Bob McNally, fundador e presidente da Rapidan, em um comunicado aos clientes.
Como o petróleo não está sendo comercializado, os produtores da região rica em petróleo ficaram sem espaço para armazenar o petróleo bruto. Eles não tiveram outra opção a não ser reduzir a produção.
Com a disparada dos preços do petróleo, o mesmo aconteceu com os preços da gasolina. Nos Estados Unidos, o preço da gasolina subiu cerca de US$ 0,50 em uma semana, chegando a US$ 3,48 por galão, o maior valor registrado durante os mandatos do presidente Donald Trump.
Quanto tempo isso pode durar?
A boa notícia: o mundo tem petróleo em abundância. Já havia um excedente de oferta antes da guerra, o que explica o preço baixo do petróleo, cotado a cerca de US$ 60 o barril antes do ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irã.
Os operadores do mercado de petróleo não acreditam que o preço do petróleo a US$ 100 seja sustentável.
Olhando para os contratos com entrega prevista para 2027 e 2028, os contratos futuros de petróleo estão sendo negociados na faixa dos US$ 60, observou Dan Pickering, fundador e diretor de investimentos da Pickering Energy Partners.
A má notícia: esta guerra com o Irã está durando mais do que a maioria dos investidores inicialmente previa.
Os picos históricos nos preços do petróleo refletem que a complacência inicial está dando lugar à dura realidade de que a guerra não terminará em questão de dias.
“Eu diria que a medida é um pouco exagerada no curto prazo, mas se entre agora e o final de março não houver uma melhora no tráfego marítimo no Estreito, podemos chegar a US$ 150 o barril”, apontou Homayoun Falakshahi, analista-chefe de pesquisa de petróleo bruto da Kpler.
Enquanto isso, os governos estão trabalhando para aliviar parte da pressão sobre os preços no mercado.
Os países do G7 disseram nesta segunda (9) que estão preparados para implementar “medidas necessárias” em resposta à disparada dos preços globais do petróleo, mas não se comprometeram a liberar reservas de emergência.
O governo Trump continuou promovendo um plano para fornecer seguro a petroleiros que transitam pelo Estreito, depois que seguradoras marítimas afirmaram que não cobririam navios na região caso fossem atacados.
A Casa Branca também afirmou que trabalharia para garantir escoltas navais para os navios, mas um plano ainda não foi apresentado, e as empresas de navegação afirmaram estar hesitantes em atravessar a região enquanto o conflito persistir.
Enquanto isso, na ausência de uma solução convincente para o fechamento do Estreito, os preços do petróleo continuarão subindo.
“Quanto mais alto o preço sobe, maior a pressão sobre o governo Trump para que faça algo para proteger o Estreito”, sinalizou Pickering. “Quanto mais tempo demorar para reabri-lo, maior a pressão de alta sobre o preço. Um ciclo vicioso”, continuou.
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Fonte : CNN