O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou desaprovação à escolha de Mojtaba Khamenei, filho do falecido aiatolá Ali Khamenei, como novo líder supremo do Irã. Segundo análise de Fernanda Magnotta, no CNN 360°, a designação representa uma clara mensagem de continuidade da linha confrontacionista iraniana em relação aos Estados Unidos e Israel.
“Nós já vínhamos alertando desde o primeiro momento que o Irã não é a Venezuela”, afirmou Magnotta, ressaltando que o regime iraniano não depende exclusivamente de uma designação específica para substituir o aiatolá anteriormente morto. A analista destacou a importância de observar o papel da Guarda Revolucionária, que não apresentou deserções ou traições durante o processo de transição.
Perfil linha-dura e relações com a Guarda Revolucionária
Mojtaba Khamenei é considerado um hardliner (linha-dura) dentro do establishment iraniano e mantém relações com a Guarda Revolucionária. Segundo Magnotta, ele era conhecido pela inteligência americana como “gatekeeper”, controlando o acesso ao pai e estabelecendo diálogos de alto nível com a Guarda Revolucionária. “Ele é uma das figuras dentro do regime atual mais propensas a continuar essa linha confrontacionista com os Estados Unidos, com o Ocidente e com Israel”, explicou.
A escolha de Mojtaba adiciona um componente pessoal ao conflito, já que ele perdeu o pai e a mãe nos ataques realizados pelos Estados Unidos. “A gente está aliando aqui duas frentes muito perigosas do ponto de vista da elevação dessas tensões: de um lado, um compromisso político ideológico; do outro, uma espécie de conta moral pessoal e familiar que de alguma maneira vão se conjugar”, analisou Magnotta.
“Para o governo Trump, está longe de ser uma figura afável, uma figura com a qual se possa dialogar”, disse Magnotta, prevendo novos capítulos de tensão na região. O governo israelense já havia sinalizado que qualquer sucessor seria tratado com confronto, o que pode levar a uma intensificação dos ataques na região.
Impacto na política externa americana
Para o governo Trump, a rápida organização interna do governo iraniano frustrou expectativas de uma transição atabalhoada que poderia enfraquecer o regime. A designação de Mojtaba Khamenei é vista como uma “péssima notícia” para o presidente americano e para a estabilidade do Oriente Médio.
A analista também destacou o custo político interno para Trump, que baseou sua campanha eleitoral na promessa de não envolver os Estados Unidos em guerras. Pesquisas mostram que aproximadamente 65% a 70% dos americanos são contra uma guerra com o Irã, com números ainda maiores quando se trata do envio de tropas terrestres. Entre os eleitores independentes, decisivos em eleições, cerca de 60% a 63% rejeitam fortemente o conflito.
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Fonte : CNN