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Após o Laboratório Conjunto China-Brasil para Radioastronomia e Tecnologia ser citado em um relatório de um comitê do Congresso dos Estados Unidos sobre possíveis ferramentas de espionagem da China na América Latina, o coordenador do radiotelescópio BINGO, instalado na Serra do Urubu, no município de Aguiar, no Sertão da Paraíba, negou que o projeto tenha qualquer finalidade militar.

Nas redes sociais, o físico Élcio Abdalla, professor da USP (Universidade de São Paulo) e coordenador do projeto, afirmou que a iniciativa tem caráter exclusivamente científico e tecnológico.

“Infelizmente, houve alguns comentários até muito maldosos na imprensa e na imprensa internacional, vindos do Congresso americano, fundamentalmente, dizendo que nosso projeto tem objetivos militares. Isso não podia estar mais longe da realidade”, disse.

Segundo Abdalla, o projeto BINGO (Baryon Acoustic Oscillations in Neutral Gas Observations) foi concebido por pesquisadores brasileiros e reúne uma colaboração internacional voltada à pesquisa em cosmologia e radioastronomia. “Na verdade, é um projeto científico, fundamentalmente científico e também tecnológico”, afirmou.

O laboratório citado no relatório integra o projeto BINGO, uma iniciativa multinacional de radioastronomia projetada para detectar oscilações acústicas bariônicas (BAO’s) por meio de observação em radiofrequência.

De acordo com Abdalla, a colaboração internacional envolve pesquisadores de diferentes países, mas tem participação predominante de instituições brasileiras e chinesas, com apoio técnico da China. “O protagonista nacional é inequívoco”, afirmou.

“O projeto, claro que se iniciou em uma colaboração Brasil-Inglaterra, basicamente, mas com uma participação francesa, portuguesa, do Uruguai, mas se dirigiu, basicamente, para o Brasil. E depois entrou a China, porque eu tenho colaborações extensas com a China desde os anos 2000”, detalhou o professor.

Além da pesquisa, o projeto também prevê desenvolvimento tecnológico associado às observações do universo.

“É um projeto muito grande e tem como metas, em primeiro lugar, estudar a ciência, a cosmologia e a parte escura do universo, que é um problema científico de física da mais alta importância. Mas também tem um aspecto tecnológico, com desenvolvimento de radares, sensoriamento remoto e outros meios tecnológicos importantes até de um ponto de vista estratégico para a nação.”

O projeto reúne instituições como a USP, Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), UFCG (Universidade Federal de Campina Grande) e a UFPB (Universidade Federal da Paraíba), além de ter apoio do governo da Paraíba.

Segundo o coordenador, o radiotelescópio tem como objetivo principal estudar a cosmologia e investigar a chamada “parte escura do universo”, considerada um dos principais desafios da física contemporânea.

“Esse é um projeto largo que não tem nada a ver com propostas militares. Nós não fazemos projetos militares, seja com a China, seja com outros países”, afirmou Abdalla.

O relatório estadunidense ainda cita outra estrutura no Brasil: a Estação Terrestre de Tucano, instalada em Salvador, na Bahia.

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Fonte : CNN

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