O governo do Irã declarou nesta segunda-feira que não possui interesse em iniciar negociações diplomáticas enquanto o país permanecer sob ataque.
Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, a atual conjuntura de “agressão militar” deixa pouco espaço para discussões que não envolvam uma resposta decisiva por parte de Teerã.
Condições para o cessar-fogo e críticas a Trump
O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, recordou que o país aceitou um cessar-fogo em junho passado para encerrar um conflito de 12 dias, mas enfatizou que, no cenário atual, é necessário um fim permanente para as hostilidades.
Baghaei também rebateu declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que sugeriu que as fronteiras do Irã poderiam sofrer alterações após o conflito.
O porta-voz criticou a postura do republicano, afirmando que o presidente americano trata a geopolítica global como um “negócio imobiliário” e que os iranianos estão dispostos a proteger a integridade de seu território.
Tensões regionais e inteligência militar
No âmbito regional, o Irã afirmou que sua defesa não deve ser interpretada como hostilidade aos vizinhos, apesar de o Azerbaijão ter relatado a interrupção de supostos planos de sabotagem da Guarda Revolucionária Iraniana (IRGC) contra um oleoduto.
A resistência iraniana conta com o suporte de uma “parceria estratégica” com a Rússia.
Segundo analistas, Moscou tem fornecido informações de inteligência sobre a localização e movimentação de tropas e navios americanos, enquanto Teerã auxilia o programa de drones russo com modelos semelhantes ao Shahed.
Contexto de crise e baixas civis
A recusa ao diálogo ocorre em um momento de forte pressão internacional devido a um bombardeio que atingiu uma escola iraniana em 28 de fevereiro, resultando na morte de 168 crianças.
Embora o presidente Trump atribua a autoria ao próprio Irã, um grupo de senadores democratas expressou horror diante de análises que sugerem a responsabilidade militar dos EUA no incidente, exigindo uma investigação imparcial do Pentágono.
Internamente, o governo iraniano endureceu medidas contra a oposição, ameaçando o confisco de bens e a pena de morte para cidadãos que residem no exterior e colaborem com governos considerados hostis.
Paralelamente, países como o Catar têm intensificado o controle sobre a informação, detendo centenas de pessoas por publicações em redes sociais relacionadas ao conflito.
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Fonte : CNN