Os países europeus têm demonstrado uma postura cautelosa e dividida em relação aos ataques realizados por Israel e Estados Unidos contra o Irã no contexto do conflito no Oriente Médio.
Inicialmente, as principais potências europeias se posicionaram de forma crítica às ofensivas militares, questionando sua legalidade e necessidade.
Segundo análise apresentada no videocast Fora da Ordem (ao vivo toda sexta, às 13h), na última sexta-feira (6), o Reino Unido chegou a negar inicialmente o uso da base militar em Diego Garcia, no Oceano Índico, que seria estrategicamente importante para as operações americanas.
A justificativa britânica baseava-se na ausência de aprovação do Conselho de Segurança da ONU para tais ataques e no questionamento sobre a existência de uma ameaça imediata que justificasse as ações militares contra o Irã.
França e Reino Unido manifestaram críticas aos ataques, com o presidente francês Emmanuel Macron expressando sua condenação de forma mais contundente.
O argumento central das autoridades europeias era que o Irã não demonstrava capacidade de realizar um ataque em larga escala contra Israel ou Estados Unidos naquele momento, o que enfraquecia a justificativa de legítima defesa.
Mudança gradual na posição europeia
No entanto, a postura europeia começou a mudar gradualmente, avaliou Américo Martins.
Fatores como pressão política interna, tentativas de ataques iranianos contra bases militares europeias – como a ocorrida no Chipre contra uma instalação britânica – e, principalmente, o temor de comprometer o apoio americano em caso de futuras ameaças à segurança europeia, levaram a uma revisão de posicionamento.
O Reino Unido acabou liberando o uso da base de Diego Garcia e tanto britânicos quanto franceses permitiram o uso de suas bases aéreas para apoio logístico às operações americanas.
Esta mudança reflete o cálculo estratégico das potências europeias, que temem que uma recusa em apoiar os Estados Unidos agora possa resultar em falta de proteção americana em caso de ameaças futuras, especialmente vindas da Rússia.
Entre os países europeus, a Espanha mantém uma posição mais crítica, recusando-se a apoiar as operações militares contra o Irã. O governo espanhol de esquerda continua condenando as ações americanas e israelenses.
Já a Turquia, membro da Otan com o segundo maior exército da aliança, também demonstrou posição crítica, mesmo após um míssil iraniano ter sido abatido sobre seu território.
A análise apresentada no programa ressalta que não se trata de uma guerra da Otan, mas sim de um conflito liderado por Israel com apoio dos Estados Unidos.
Os países europeus, por sua vez, oferecem apoio limitado e relutante, motivados principalmente por interesses de segurança próprios e pela dependência militar em relação aos Estados Unidos, especialmente considerando possíveis ameaças futuras no continente europeu.
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Fonte : CNN