A semana do mercado do boi gordo foi marcada pela combinação de fatores financeiros e geopolíticos que influenciaram as negociações na B3 (Bolsa Brasileira). Enquanto investidores pessoa física reduziram posições diante da volatilidade no mercado futuro, a escalada das tensões no Oriente Médio passou a gerar preocupações com a logística das exportações brasileiras de proteína animal, trazendo cautela adicional às cotações.
Os preços futuros do boi gordo encerraram a semana com leves oscilações na B3. O contrato com vencimento em março fechou o dia cotado a R$ 344,05 por arroba, com leve alta de 0,15%. Já o vencimento para abril registrou queda de 0,15%, negociado a R$ 336,80 por arroba, enquanto o contrato para maio terminou o dia em R$ 334,55 por arroba, recuo de 0,48%.
De acordo com o Analista de Inteligência de Mercado, Rodrigo Dutra, o contrato de maior liquidez devolveu no início de março toda a valorização acumulada ao longo de fevereiro.
“Dados do relatório de comitentes indicam que investidores pessoa física reduziram suas posições em 5.650 contratos na semana encerrada em 5 de março. Com isso, o saldo líquido comprado recuou de 35.847 para 30.197 contratos, ainda considerado expressivo”, informou à CNN Brasil.
Inicialmente, o movimento foi interpretado como acionamento de stops, quando investidores encerram posições para limitar perdas diante de movimentos contrários à tendência esperada.
Segundo Fernando Henrique Iglesias, a crise no Oriente Médio passou a exercer influência direta sobre a formação de preços no mercado futuro.
“O comportamento dos preços do boi gordo na B3 foi bastante afetado pela crise no Oriente Médio. Mesmo que o volume exportado diretamente para a região não seja tão grande, o Oriente Médio funciona como um importante ponto de referência logística, com diversos hubs e entrepostos utilizados por cargas destinadas a outros países da Ásia”, afirma.
Nesse cenário, parte do volume embarcado de carne bovina e, principalmente, de carne de frango pode acabar temporariamente redirecionado ao mercado doméstico até que sejam definidas novas rotas ou mercados compradores. Historicamente, esse tipo de situação tende a exercer pressão negativa sobre os preços da carne no curto prazo.
O mercado também acompanhou os dados consolidados das exportações de fevereiro que não indicam impacto desse cenário sobre o comércio exterior. As exportações brasileiras de carne bovina permaneceram aquecidas no período.
A China, principal destino da proteína bovina do Brasil, ampliou as compras em 11,86% na comparação com o mesmo período do ano passado. O avanço está ligado à movimentação dos frigoríficos para assegurar espaço dentro das cotas de exportação que o Brasil passou a operar neste ano com o mercado chinês.
O analista da Safras & Mercado também destaca que, no mercado futuro, o movimento predominante foi de queda, com frigoríficos exercendo pressão mais frequente sobre os preços da arroba e indicando uma posição mais confortável nas escalas de abate.
“Basicamente, é isso que tem norteado os preços do boi na B3 ao longo da semana. A crise no Oriente Médio é um elemento central para entender esse comportamento do mercado futuro”, conclui.
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Fonte : CNN