Uma reviravolta no cenário comercial entre Brasil e Estados Unidos promete trazer novo fôlego para exportadores brasileiros. Uma decisão do governo norte-americano, divulgada na última quinta-feira (20), determinou a retirada da sobretaxa adicional de 40% que incidia sobre uma vasta gama de produtos brasileiros. A medida abrange itens como café, carne bovina, frutas, açaí, cacau, madeira e outros alimentos, cuja produção doméstica nos EUA é limitada e dependente de importações.
A isenção da taxação extra representa um alívio significativo para os custos, além de aprimorar as margens de lucro e devolver a competitividade ao Brasil em relação a outros países que também tiveram tarifas reduzidas recentemente.
A decisão encerra um período de idas e vindas nas tarifas impostas a produtos brasileiros. Em abril de 2025, foi implementada uma tarifa global de 10%, impactando diversos países, incluindo o Brasil. A pressão aumentou em julho de 2025, com a imposição de uma sobretaxa adicional de 40% sobre produtos brasileiros, elevando a tarifa total para 50% em itens como café e carnes. Uma semana antes da decisão, a Casa Branca removeu a tarifa global de 10%, mantendo, contudo, a sobretaxa de 40% especificamente para produtos do Brasil. A ordem executiva assinada recentemente zera a sobretaxa de 40% para diversos produtos brasileiros, com efeito retroativo para mercadorias retiradas de armazéns para consumo desde 13 de novembro.
A medida surge em um contexto de pressão nos Estados Unidos devido ao aumento dos preços de alimentos importados. Ao eliminar tarifas, o governo busca estabilizar os preços locais, evitar repasses inflacionários e garantir o abastecimento interno. A decisão também visa atender aos importadores e varejistas americanos, que enfrentam a inflação dos alimentos.
A isenção de tarifas representa um impulso para o agronegócio brasileiro. Produtos como café, carnes e frutas, que estavam sujeitos a uma taxação total de 50%, agora têm acesso facilitado ao mercado americano, um dos mais importantes para esses setores. Espera-se uma retomada dos embarques, com setores que sofreram quedas significativas nas exportações após a imposição das tarifas.
A decisão sinaliza um avanço nas negociações bilaterais e reforça a demanda pelos produtos agrícolas brasileiros no mercado americano, beneficiando especialmente o setor de proteínas, o setor de cafés especiais e as empresas com maior presença no mercado externo, particularmente nos EUA.
Durante o período das tarifas, muitas empresas brasileiras diversificaram seus mercados, ajustaram a logística e buscaram novos parceiros comerciais, reduzindo a dependência de um único destino. Nesse contexto, a medida representa um estímulo adicional, ampliando a competitividade e abrindo espaço para a retomada dos embarques.
Os produtos recentemente isentos representaram aproximadamente US$ 4,4 bilhões em 2024, cerca de 11% das exportações brasileiras para os EUA. Com a mudança, 55,4% das exportações brasileiras para os EUA estão agora isentas da tarifa adicional de 40%, em comparação com 44,6% sob a medida inicial.
Café e carne bovina, foram recentemente isentos de tarifas recíprocas de 10% e da tarifa de 40% aplicada pelos EUA. Este ajuste restabelece condições equitativas para esses produtos em comparação com outros exportadores globais.
De agosto a outubro, o volume médio de mercadorias exportadas do Brasil para os EUA apresentou uma queda de 22,7% em comparação com a média enviada entre janeiro e julho. No entanto, essas perdas foram amplamente compensadas por exportações mais fortes para outros mercados, como África e Ásia.
Fonte: www.infomoney.com.br