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O MPSP (Ministério Público de São Paulo) e a PF (Polícia Federal) realizaram uma operação, na manhã desta quinta-feira (5), contra os crimes de corrupção e lavagem de dinheiro dentro de departamentos da Polícia Civil de São Paulo. Nas investigações, foi descoberto que policias civis pediram “dicas” de como ganhar dinheiro para alvos da própria polícia. 

As investigações apontam que, em outubro de 2023, Marcello Raduan Miguel, até então investigador, procurou Leonardo Meirelles, doleiro alvo de operação ligada à Lava-Jato, para uma reunião. Na conversa, em que também foi citado o investigador Jayme Emílio Tavares Júnior, Marcello afirmou que ele e o colega tinham ideias para “conduzir a vida fora da polícia”. 

Em novembro do mesmo ano, Marcello teria enviado diversas imagens de um “casarão”, que contava com “academia, sauna, campo de futebol, lagos, dentre outros recursos.” Ele afirmou ter adquirido o imóvel em leilão e acrescentou que “não estava fazendo dinheiro na polícia”. Por isso, ele disse que pretendia deixar a corporação e precisava vender o terreno, que, segundo ele mesmo, estaria avaliado em R$ 4,5 milhões.

Segundo a decisão da Justiça que autorizou a operação, o valor atribuído ao imóvel é incompatível com a atividade de policial e contradiz com a alegação de dificuldades financeiras, “o que sugere a utilização de recursos de origem ilícita para aquisição do bem.”

O documento aponta que “os elementos colhidos indicam, portanto, que os investigados Marcello e Jayme praticaram atos de corrupção no exercício de suas funções junto á 3ª DIG (Delegacia de Fraudes Financeiras), solicitando ‘consultoria’ a notório criminoso, especializado em lavagem de capitais, para aprender a ganhar dinheiro e solicitando auxílio na venda de imóvel adquirido com preventos do crime.”

Veja também: Corrupção na polícia de SP: criminosos usavam VRs para lavagem de dinheiro

Entenda a operação

O MPSP (Ministério Público de São Paulo) e a PF (Polícia Federal) realizam uma operação, na manhã desta quinta-feira (5), contra corrupção e lavagem dinheiro dentro de departamentos da PCESP (Polícia Civil do Estado de São Paulo).

No total, são cumpridos 25 mandados de busca e apreensão, inclusive em unidades policiais, além de 11 mandados de prisão e seis mandados de intimação relativos a medidas cautelares diversas da prisão, direcionados a integrantes da organização criminosa, advogados e policiais civis, na Operação Bazaar.

11 pessoas foram presas. Entre elas estão os doleiros Leonardo Meirelles e Meire Poza, alvos da Operação Lava Jato, que são apontados como operadores do grupo criminoso.

A decisão judicial que autorizou a operação cita um “elevado grau de prática de corrupção sistêmica” de policiais do Deic (Departamento Estadual de Investigações
Criminais), do DPPC (Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania) e do 16° DP (Vila Clementino).

A investigação aponta um amplo e estruturado esquema de corrupção policial voltado à proteção de uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro. O grupo criminoso era composto por doleiros, operadores financeiros e indivíduos com extenso histórico de prática de atos de lavagem de capitais.

O MPSP afirma que organização atuava de forma coordenada para garantir a continuidade das práticas criminosas e evitar a responsabilização de seus integrantes. Para isso, fazia pagamentos sistemáticos de vantagens indevidas a agentes públicos, além de adotar estratégias de fraude processualmanipulação de investigações e destruição de provas no âmbito de inquéritos policiais.

A operação é realizada por intermédio da Ficco Força Integrada de Combate ao Crime Organizado) e com o apoio da Corregedoria da Polícia Civil. Em reunião conjunta com a Corregedoria, foi deliberado a realização de correições extraordinárias em todas as unidades policiais envolvidas para promover a responsabilização disciplinar e apurar eventuais outros ilícitos ocorridos nas repartições.

CNN Brasil tenta contato com a defesa dos alvos citados. O espaço segue aberto para um posicionamento.

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Fonte : CNN

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