O Irã atacou nove bases militares dos Estados Unidos em países do Oriente Médio na última quarta-feira (4), demonstrando capacidade de saturar os sistemas de defesa antiaérea americanos na região. A estratégia iraniana revela um planejamento cuidadoso, baseado em experiências anteriores de conflitos com Israel e EUA.
De acordo com análise do especialista Lourival Sant’anna, o regime iraniano já havia testado as capacidades antiaéreas desses países, especialmente do Catar, durante a guerra de 12 dias em junho. “O Irã telegrafou o ataque, o objetivo não era matar militares americanos nas bases, mas com isso entendeu qual era o volume de disparos que poderia saturar o sistema de defesa”, explicou.
Um fator determinante para o sucesso da ofensiva iraniana foi a redução dos estoques de sistemas de defesa e munições dos Estados Unidos. Essa diminuição ocorreu porque parte significativa desses recursos foi fornecida à Ucrânia durante o conflito com a Rússia. Além disso, o Irã já havia conseguido saturar o sistema israelense de defesa antiaérea em duas campanhas no ano passado, a partir de outubro de 2023, com o objetivo específico de reduzir os estoques de defesa de Israel.
Preparação para conflito prolongado
A análise indica que o regime iraniano está em uma luta pela própria sobrevivência e se prepara para um conflito mais duradouro. “O regime iraniano está numa luta pela sua própria sobrevivência e está pronto para atacar de forma muito mais contundente“, observou Lourival. No entanto, o especialista ressalta que o país não está usando toda sua munição neste momento, pois pretende prolongar o conflito.
A defesa das bases americanas em países como Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait e Emirados Árabes Unidos enfrenta limitações significativas de recursos. Os estoques de sistemas de defesa como Patriots e THAADs (mísseis da defesa antiaérea) são restritos, e havia dúvidas sobre a intensidade dos ataques iranianos, já que no ano passado as ações foram mais simbólicas e telegrafadas. A atual ofensiva, porém, demonstra uma escalada na determinação iraniana de desafiar a presença militar americana na região.
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Fonte : CNN