Em menos de um ano, “O Agente Secreto” percorreu um caminho que poucos filmes brasileiros trilharam: de estreia em Cannes a quatro indicações ao Oscar.
O thriller político de Kleber Mendonça Filho, estrelado por Wagner Moura, atravessou festivais, polêmicas, premiações e fronteiras para chegar à maior noite do cinema mundial como um dos títulos mais celebrados da temporada.
Para relembrar essa trajetória, a CNN separou os principais marcos do caminho de “O Agente Secreto” até o Oscar.
Tudo começou em Cannes

A trajetória de “O Agente Secreto” rumo ao Oscar começou em 18 de maio de 2025, com a estreia mundial no 78º Festival de Cannes. O longa arrancou 13 minutos de aplausos da plateia e, ainda durante o festival, rapidamente atraiu o interesse da NEON — a mesma distribuidora que conduziu “Parasita” e “Anora” ao Oscar —, que adquiriu os direitos do filme para os Estados Unidos.
Antes de encerrar sua passagem por Cannes, o longa ainda saiu com dois prêmios da competição oficial: Melhor Diretor para Kleber Mendonça Filho e Melhor Ator para Wagner Moura.
A seleção brasileira: polêmica e debate nacional

Em agosto, o filme entrou na lista de seis pré-selecionados pela Academia Brasileira de Cinema para representar o Brasil no Oscar 2026. O que parecia uma escolha óbvia rapidamente se transformou em uma polêmica.
“Manas”, de Marianna Brennand, ganhou força com a entrada de Sean Penn e Julia Roberts como produtores executivos e com uma mobilização incomum: dezenas de empresas sem relação direta com o audiovisual assinaram um manifesto defendendo sua indicação, invocando o tema central do filme — o abuso de menores.
Fernanda Torres entrou publicamente no debate e declarou sua preferência por “O Agente Secreto”, afirmando acreditar que o filme era o mais capaz de levar holofotes ao cinema brasileiro no exterior.
Em 15 de setembro, após votação do comitê de 15 membros, a Academia Brasileira de Cinema confirmou “O Agente Secreto” como representante oficial do país no Oscar 2026.
Premiações: construindo o momentum

No circuito de premiações americano, o filme foi ganhando força progressivamente. Em 4 de janeiro de 2026, venceu o Critics Choice Award de Melhor Filme Estrangeiro — a primeira vez que um filme brasileiro conquista a categoria na história do prêmio.
Uma semana depois, no Globo de Ouro, levou Melhor Filme de Língua Não-Inglesa. Wagner Moura foi eleito Melhor Ator em Filme de Drama — o primeiro brasileiro a vencer a categoria —, e em seu discurso dedicou o prêmio aos jovens cineastas.
Primeira linha de chegada

Em 22 de janeiro de 2026, vieram as indicações ao Oscar. “O Agente Secreto” conquistou quatro vagas: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Elenco e Melhor Ator para Wagner Moura.
O feito é inédito para o cinema brasileiro e coloca Moura numa lista histórica: em quase cem anos de Oscar, apenas três atores latinos haviam sido indicados na categoria antes dele — José Ferrer (Porto Rico), Anthony Quinn (México) e Demián Bichir (México).
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Fonte : CNN