O petróleo é um dos principais pontos de atenção no radar do mercado financeiro em relação à guerra dos Estados Unidos e de Israel com o Irã.
Além de o Oriente Médio ser a principal região produtora da commodity no mundo, o Estreito de Ormuz – via marítima que está em águas iranianas – é rota para cerca de 20% do petróleo comercializado globalmente.
Analistas ouvidos pelo CNN Money destacam que a potencial escalada do conflito e choques de oferta são acompanhados de perto, uma vez que podem pressionar os preços do petróleo ainda além da marca dos US$ 80.
Disparada nos preços do petróleo
Logo que o mercado futuro abriu na noite de domingo (1º), pela primeira vez desde o início dos ataques no sábado (28), o preço do petróleo Brent – referência internacional negociada na ICE (International Commodities Exchange) – disparou mais de 12%, para cerca de US$ 82 por barril.
Na segunda-feira (2), o contrato para maio fechou em alta de 6,68%. Na terça-feira (3), ao romper os US$ 80, registrou alta de 4%. E após iniciar a sessão de quarta-feira (4) buscando os US$ 85, o Brent arrefeceu e encerrou o dia praticamente estável, em US$ 81,40.
Apesar do freio, a desaceleração na alta não significa que o mercado distensionou, afirmam os analistas ouvidos pela reportagem.
“A acomodação dos preços na quarta-feira parece refletir um movimento de maior cautela do mercado, após dois dias de altas mais intensas. No entanto, não é possível afirmar que os riscos estejam plenamente precificados”, enfatiza Isabela Garcia, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.
O patamar na faixa dos US$ 80 – que deve pressionar a inflação no país se perdurar – pode funcionar como um nível de equilíbrio no curto prazo, mas a trajetória do preço do barril vai depender diretamente da duração e do grau de escalada da guerra no Oriente Médio, segundo Pedro Souza, líder de O&G da consultoria BIP.
“A alta recente reflete principalmente o risco geopolítico, já que a região concentra rotas estratégicas de escoamento de petróleo. […] Além do risco direto de interrupção da oferta, o conflito vem impactando diretamente a logística de mercado, com aumento relevante no custo dos fretes de petroleiros”, pontua Souza.
Estreito de Ormuz
O analista se refere ao Estreito de Ormuz. O conflito levou à redução de tráfego marítimo pela rota marítima que atravessa as águas do Irã e de Omã e é considerada ponto crucial para o transporte global de petróleo.
Desde sábado, o fechamento do canal já vinha sendo ventilado e empresas de transporte marítimo já começaram a evitar a região por questão de segurança, diminuindo o tráfego total no Estreito cerca de 75% até o final do primeiro dia de conflito.
Na segunda, a Guarda Revolucionária do Irã confirmou o bloqueio da rota. Desde então, a região já enfrenta a maior parada comercial desde a pandemia.
Futuro do conflito no Oriente Médio
O Estreito de Ormuz segue fechado e, embora o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tenha anunciado a intenção da Casa Branca de garantir os fluxos por meio da Marinha norte-americana, o plano ainda não foi colocado em prática e não se observa a passagem de navios nos mesmos volumes registrados antes do início do conflito.
“Portanto, os riscos permanecem elevados, o que inibe a atividade marítima na região. Quanto mais prolongado for o fechamento do estreito, maior tende a ser a pressão altista sobre os preços do petróleo”, pondera Garcia.
“Assim, embora os preços não estejam subindo na magnitude que se especulava para um cenário como o atual, também não é possível interpretar que, por conta da acomodação registrada na quarta-feira, tenha sido atingido um teto, enquanto a situação no estreito não for efetivamente resolvida”, conclui.
O que vai acontecer daqui para frente “vai depender do desenrolar da guerra”, ressalta Frederico Nobre, líder de análise de ações na Warren Investimentos.
Segundo Nobre, o mercado trabalha com cenário base de ver o Estreito de Ormuz fechado entre 2 e 4 semanas.
“Se for isso mesmo, [o preço do petróleo] deve estabilizar. Se for mais prolongado, com impacto no fluxo comercial, pode subir mais”, indaga.
Para o analista, o que deve pressionar a cotação da commodity além do patamar atual é “uma escalada do conflito que envolvesse a China ou um conflito mais prolongado que o previsto, mantendo a interrupção do fluxo comercial no Estreito de Ormuz”.
Seja como for, Souza reforça que “o principal risco é um choque de oferta, sobretudo se houver uma escalada do conflito no Oriente Médio e interrupções de produção em países da região”.
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Fonte : CNN