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Autoridades do governo Trump disseram a parlamentares durante uma reunião fechada no Capitólio, na terça-feira (3), que os drones de ataque Shahed do Irã representam um grande desafio e que as defesas aéreas dos EUA não serão capazes de interceptá-los todos, de acordo com uma fonte presente na reunião.

O secretário de Defesa, Pete Hegseth, e o chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, reconheceram que os drones estão representando um problema maior do que o previsto, segundo duas fontes presentes na reunião informativa que falaram à CNN.

Sabe-se que eles voam baixo e devagar – uma característica que os torna mais capazes de evadir as defesas aéreas do que mísseis balísticos. Outra fonte familiarizada com a reunião disse que as autoridades tentaram minimizar as preocupações com os drones e observaram que os países parceiros do Golfo estavam estocando interceptores.

As autoridades estavam no Capitólio informando os legisladores enquanto a guerra com o Irã se intensifica, ameaçando desencadear uma crise energética global e desestabilizar o Oriente Médio. O presidente Donald Trump afirmou na terça-feira (3) que a maioria das instalações militares iranianas foi “destruída” e que novos ataques tiveram como alvo a liderança iraniana.

Segundo uma fonte familiarizada com a reunião, as autoridades minimizaram as perguntas sobre como os EUA impediriam o Irã de se tornar um Estado falido e afirmaram que a mudança de regime era um objetivo secundário.

Em sua apresentação aos legisladores, reiteraram as metas recentemente estabelecidas por Trump: destruir o programa de mísseis do Irã, sua marinha, acabar com suas ambições nucleares e impedir que o país arme grupos militantes.

Segundo uma fonte familiarizada com a reunião, as autoridades também não indicaram quem consideram ser o próximo líder supremo. O antigo líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, foi morto pelos Estados Unidos e por Israel na semana passada, e Trump afirmou que muitos dos potenciais sucessores foram mortos na operação. O complexo processo de escolha de um sucessor está em andamento.

Os legisladores saíram da reunião com expectativas muito diferentes sobre a duração do conflito.

O senador republicano Tommy Tuberville, do Alabama, disse que os palestrantes, incluindo o secretário de Estado Marco Rubio, apresentaram um cronograma para o término da participação dos EUA no conflito em três a cinco semanas — ecoando alguns dos próprios comentários públicos do presidente.

Mas o senador republicano Josh Hawley, do Missouri, disse acreditar que as autoridades não comunicaram uma possível data de término. “Para mim, pareceu muito vago”, disse ele.

O líder da minoria na Câmara, Hakeem Jeffries, também afirmou que os informantes indicaram que a guerra poderia se arrastar por semanas.

“Não há explicação para o que realmente motivou a decisão de travar essa guerra por opção, na ausência de qualquer evidência de que houvesse uma ameaça iminente aos Estados Unidos da América ou aos interesses americanos na região”, disse ele.

Jeffries, um democrata, esquivou-se de uma pergunta sobre se apoiaria um pedido da administração por financiamento suplementar para a defesa, dizendo à CNN: “Neste momento, o que temos pela frente é a resolução de reafirmar a autoridade do Congresso devido à falha da administração em buscar apoio do Congresso para esta guerra sem fim.”

Os comentários de Jeffries surgem num momento em que os democratas estão cada vez mais preocupados com a quantidade de munições utilizadas no conflito e com o que isso pode significar para a defesa dos EUA na região e em outros lugares.

O senador Mark Kelly, democrata do Arizona e membro da Comissão de Serviços Armados do Senado, alertou que “não temos um suprimento ilimitado”.

“Os iranianos têm capacidade para produzir muitos drones Shahed, mísseis balísticos de médio e curto alcance, e possuem um enorme estoque. Então, em algum momento… isso se torna um problema matemático: como podemos reabastecer as munições de defesa aérea? De onde elas virão?”, disse Kelly.

Entretanto, pressionado sobre se chamaria a ação militar dos EUA de guerra, apesar da ausência de participação do Congresso na autorização do uso da força na região, o presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, classificou-a como “uma operação”.

“É uma operação perigosa e importante. Tivemos que agir porque havia uma ameaça iminente, mas não se trata de uma declaração de guerra”, disse ele.

O Congresso não votou para autorizar uma guerra com o Irã, o que gerou fortes críticas de democratas e alguns republicanos, que comparam o conflito às guerras do Afeganistão e do Iraque, que foram autorizadas pelos parlamentares. Os republicanos que defendem a ação de Trump afirmam que a campanha contra o Irã é semelhante à intervenção do presidente Barack Obama na Líbia, onde ele também não buscou a aprovação do Congresso.

Propostas na Câmara e no Senado que exigiriam a aprovação do Congresso por Trump para dar continuidade à campanha militar devem ser rejeitadas esta semana.

O que está acontecendo no Oriente Médio?

Os Estados Unidos e Israel iniciaram no sábado (28) uma onda de ataques contra o Irã, em meio a tensões sobre o programa nuclear iraniano.

O regime dos aiatolás iniciou retaliação contra países do Oriente Médio que abrigam bases militares norte-americanas, entre eles: Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.

No domingo, a mídia estatal iraniana anunciou que seu líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, foi uma das vítimas feitas pelos ataques norte-americanos e israelenses.

Após o anúncio da morte de Khamenei, o Irã ameaçou lançar a “ofensiva mais pesada” da história. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país persa considera se vingar pelos ataques de Israel e dos Estados Unidos como um “direito e dever legítimo”.

Em resposta, Trump ameaçou o Irã contra os ataques retaliatórios, dizendo “é melhor que eles não façam isso, porque se fizerem, nós os atingiremos com uma força nunca antes vista”. As agressões entre as partes seguem neste domingo.

Na véspera, Trump já havia afirmado que os ataques contra o Irã vão continuar “ininterruptos durante toda a semana ou pelo tempo que for necessário para alcançarmos nosso objetivo de PAZ EM TODO O ORIENTE MÉDIO E, DE FATO, NO MUNDO!”.

*Lauren Fox, Alison Main, Manu Raju e Morgan Rimmer, da CNN, contribuíram para esta reportagem

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Fonte : CNN

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