O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi preso novamente nesta quarta-feira (4), após decisão do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal). O empresário já havia sido detido em novembro de 2025, na primeira fase da Operação Compliance Zero, mas foi solto na sequência. Na época, foi determinado que o empresário fizesse o uso de tornozeleira eletrônica.
Na fase anterior, Vorcaro foi preso um dia antes da liquidação do Banco Master, que estava no centro de uma complexa teia de fraudes que envolveu diversos setores e entidades.
A principal razão para a liquidação do banco foi a comercialização de CDBs (Certificados de Depósito Bancário) com taxas de retorno impraticáveis, chegando a 140% do CDI. Esses produtos financeiros geraram desconfiança no mercado, pois o banco não conseguia honrar seus compromissos nos vencimentos dos investimentos.
A nova etapa da operação, que busca combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras que integram o SFN, foi deflagrada após a PF apontar indícios de que o empresário teria participado de um esquema envolvendo ameaças, monitoramento ilegal e outros crimes.
Ameaças a jornalistas e “desafetos”
Segundo o relatório da Polícia Federal, Vorcaro teria ordenado ameaças contra pessoas consideradas seus “desafetos”.
Mensagens atribuídas ao empresário mostram teor violento. Em uma delas, segundo a investigação, ele teria sugerido “quebrar todos os dentes” e “dar um pau” em um jornalista durante um suposto assalto. A PF afirma que as comunicações indicam tentativa de intimidação e retaliação contra profissionais de imprensa, ex-funcionários e concorrentes.
Apesar do nome do jornalista em questão estar tampado com uma tarja preta no relatório da PF, o profissional em questão se trata de Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo.
Veja trecho de diálogo entre Vorcaro e o cúmplice, Luiz Phillipi Mourão:
- Mourão: Esse Lauro Jardim bate cartão todo domingo? hrs hein Lanço uma nova sua? Positiva
- Daniel Vorcaro: Sim
- Mourão: Cara escroto
- Vorcaro: Tinha que colocar gente seguindo esse cara. Pra pegar tudo dele.
- Mourão: Vou fazer isto.
“A turma”
As investigações apontaram a existência de um grupo chamado “A Turma”, que seria destinado à obtenção ilegal de informações sigilosas e para praticar atos de coação e intimidação de pessoas consideradas prejudiciais para a suposta organização criminosa.
Luiz Phillipi Mourão, também identificado como Felipe Mourão, era responsável pela “execução de atividades de obtenção de informações sigilosas, monitoramento de pessoas e neutralização de situações consideradas sensíveis aos interesses do grupo investigado”.
Em uma das ocasiões, Felipe Mourão teria pedido o telefone de um ex-funcionário do Banco Master, a quem disse estar monitorando.
Celular criptografado
As novas mensagens que levaram à prisão do empresário Daniel Vorcaro foram encontradas no último aparelho celular apreendido pela PF.
O telefone de última geração foi apreendido pela força policial na segunda fase da Compliance Zero, deflagrada no início deste ano.
A quebra da criptografia do telefone celular foi a mais difícil realizada pela Polícia Federal, segundo apuração da CNN, já que o banqueiro se negou a informar a senha de acesso.
Além da proteção da tecnologia do aparelho, o banqueiro tinha uma camada adicional de criptografia.
Envolvimento de familiares
Durante o cumprimento de mandados, um dos alvos foi o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, que inicialmente não foi localizado pela PF. Posteriormente, ele se apresentou às autoridades.
A entrega ocorreu no contexto do avanço da operação e da ampliação das diligências conduzidas pela PF.
Vorcaro “ocultou” R$ 2,2 bilhões de vítimas do Master em conta do pai
O que está em investigação?
Segundo a Polícia Federal, a operação apura suspeitas de:
- Ameaça
- Constrangimento ilegal
- Monitoramento clandestino
- Possíveis crimes financeiros
O que diz a defesa de Daniel Vorcaro?
Os advogados do empresário negam que seu cliente tenha obstruído investigações do caso Master. Veja a nota na íntegra:
A defesa de Daniel Vorcaro informa que o empresário sempre esteve à disposição das autoridades, colaborando de forma transparente com as investigações desde o início, e jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça.
A defesa nega categoricamente as alegações atribuídas a Vorcaro e confia que o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta.
Reitera sua confiança no devido processo legal e no regular funcionamento das instituições.
source
Fonte : CNN