O Irã adotou uma sofisticada estratégia de proteção de seu arsenal de mísseis que representa um desafio significativo para as operações militares americanas e israelenses na região. A análise é de Lourival Sant’Anna, ao CNN Prime Time.
De acordo com Sant’Anna, desde a guerra Irã-Iraque (1980-1988), “o Irã adotou uma doutrina de dispersão, mobilidade, ocultação ou camuflagem do seu arsenal de mísseis. Dispersão em todo o território iraniano, eles estão espalhados. Mobilidade, a maior parte dos lançadores de mísseis é móvel, se desloca de acordo com as necessidades de defesa e proteção do arsenal”, explicou.
A ocultação é outro elemento crucial dessa estratégia. Muitos dos lançadores e estoques de mísseis iranianos estão localizados em instalações subterrâneas, alguns em profundidades consideráveis, o que dificulta sua detecção e destruição. Essa tática de proteção explica por que as forças americanas e israelenses precisaram adotar uma abordagem específica em suas operações militares contra o Irã.
“A tática americana e israelense foi inicialmente usar armas de precisão para destruir o sistema de defesa antiaérea, para que pudesse entrar em ação os bombardeiros”, apontou Sant’Anna.
Estratégia militar americana e israelense
Diante desse cenário desafiador, a estratégia americana e israelense tem se concentrado inicialmente em neutralizar sistema de defesa antiaérea iraniano. O objetivo é permitir que aeronaves como os bombardeiros estratégicos B2 Stealth americanos possam operar com maior liberdade no espaço aéreo iraniano.
“À medida em que a defesa antiaérea iraniana foi, em grande parte, neutralizada, entram em ação essas armas mais antigas, mais baratas, porque será necessária uma grande quantidade de bombardeios”, afirmou Sant’Anna: “Estamos falando de um problema de quantidade e de dispersão geográfica”.
Os B-2 são equipados com bombas de 900 quilos capazes de perfurar as estruturas que protegem os silos de mísseis iranianos.
“É por isso que o presidente Donald Trump está preparando a opinião pública para uma campanha mais longa, de algumas semanas, talvez, exatamente porque, para garantir o desmantelamento de todo o arsenal, vai tomar tempo – e, para fazer isso de uma forma não tão cara, será necessário varrer o território iraniano com esses armamentos um pouco mais baratos”, refletiu o analista.
Reação iraniana e impacto regional
Em resposta às operações militares, o Irã tem adotado uma estratégia de elevação dos custos econômicos e humanos para os aliados dos Estados Unidos na região. Sant’Anna observou que os iranianos estão aparentemente visando alvos turísticos, como hotéis icônicos em Dubai, para pressionar economicamente os aliados americanos.
“O Irã não tem condições de enfrentar os Estados Unidos e Israel, então o plano deles é elevar o custo humano e econômico da campanha americana para dissuadir os americanos e israelenses a seguir adiante”, analisou Sant’Anna.
O governo iraniano divulgou recentemente imagens de um grande túnel repleto de drones, evidenciando parte de seu arsenal militar subterrâneo e reforçando a mensagem sobre sua capacidade de resistência prolongada em um conflito regional.
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Fonte : CNN