A possibilidade de uma invasão terrestre dos Estados Unidos ao Irã enfrenta obstáculos significativos devido às características geográficas do território iraniano, diferentemente do que ocorreu no Iraque. A análise foi feita por Sandro Teixeira Moita, professor de Ciências Militares da Eceme (Escola de Comando e Estado-Maior do Exército), durante entrevista ao WW desta segunda-feira (2).
“A geografia do Irã não é a geografia do Iraque. Não é um país com grandes planícies, não é um país que está entre dois rios, não é um país que você tem eixos fáceis de invasão para uma invasão terrestre”, explicou Moita. Segundo o especialista, o Irã possui uma geografia muito agressiva, que não permite uma ação militar facilitada.
Além dos desafios geográficos, o professor destacou outros fatores que complicariam uma operação terrestre. “A gente está falando de um país que tem, a despeito de ter um exército defasado tecnologicamente, de ter uma guarda revolucionária que está sendo bombardeada incessantemente, a gente não pode esquecer que é um país de 92 milhões de pessoas”, ressaltou.
Componente ideológico e orgulho nacional
O especialista também apontou para uma mudança estratégica na narrativa do regime iraniano após a Guerra dos Doze Dias. “O Khamenei começou um giro ideológico do regime. Esse giro ideológico deixou de apenas colocar a República Islâmica no seu caráter islâmico e começou a apelar também para uma questão civilizacional”, explicou.
De acordo com Moita, o regime passou a utilizar símbolos históricos persas e a inaugurar estátuas de heróis persas em diversas cidades, com apoio da guarda revolucionária. “Ele começou a pegar imagens, por exemplo, de imperadores romanos dobrando o joelho para antigos imperadores persas”, disse, explicando que essa estratégia busca despertar o orgulho civilizacional persa e unir a população em torno da bandeira nacional.
“Boa parte da população iraniana é anti-americana, mas ela não é anti-americana necessariamente porque odeia os Estados Unidos. Há um orgulho civilizacional persa”, observou o professor, acrescentando que esse sentimento poderia mobilizar resistência em caso de invasão.
Alternativas à invasão terrestre
Diante desses desafios, Moita considera que uma invasão terrestre exigiria um contingente militar impraticável. “No caso de uma invasão terrestre, o efetivo a ser utilizado seria algo em torno de meio a um milhão de homens. É algo completamente fora de questão, mesmo para o poderio militar americano”, avaliou.
O especialista acredita que as declarações sobre possível invasão terrestre fazem parte de uma estratégia de pressão psicológica. “Esse é o tipo de declaração que nós veremos ao longo das próximas semanas, que vão invadir de maneira terrestre, porque isso também é uma forma de instalar um certo terror”, analisou.
Como alternativa mais provável, Moita aponta para “uma campanha aérea ainda mais punitiva contra o Irã”, mencionando que já estão ocorrendo bombardeios especializados americanos por três noites consecutivas, com diferentes tipos de aeronaves sendo empregadas em cada operação.
source
Fonte : CNN