O professor de Relações Internacionais da ESPM, Gunther Rudzit, avaliou, em entrevista ao CNN Novo Dia nesta terça-feira (3), que a queda do regime iraniano ainda é um cenário improvável no momento atual, apesar das tensões crescentes no Oriente Médio e dos protestos internos no país.
Segundo Rudzit, tanto o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, quanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, podem estar interessados em uma mudança de regime no Irã. “No meu entender, o que Netanyahu mais quer é mudança de regime no Irã. E a grande esperança é que a população acabe se levantando contra”, afirmou o especialista.
O professor destacou que o Irã não deve ser visto como um regime monolítico, pois existem divergências internas significativas. “Há divergências entre forças armadas e guarda revolucionária. Há divergências entre mais conservadores, entre os religiosos e os não tão conservadores”, explicou Rudzit, acrescentando que estas fraturas podem ser determinantes para o futuro político do país.
Legitimidade em xeque
Apesar de considerar difícil a queda imediata do regime, o professor ressaltou que os protestos em larga escala ocorridos no Irã no fim do ano passado e início deste ano demonstram uma crise de legitimidade. “O regime, para mim, perdeu a legitimidade para pelo menos metade da sua população. Eu acredito que no médio e longo prazo vai ser difícil ele se manter, mas nesse momento eu acho que ele sobrevive”, avaliou.
Rudzit também analisou como as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos e em Israel podem influenciar o conflito. Segundo ele, Trump estaria contando com o fato de que as eleições americanas ainda estão distantes, em novembro, o que daria tempo para que os eleitores esqueçam possíveis consequências negativas do conflito. Já Netanyahu, que se apresenta como “senhor segurança”, poderia usar uma eventual queda do regime iraniano para se fortalecer politicamente.
O especialista concluiu alertando para a incerteza do cenário, agravada pela crise econômica e social que já afetava o Irã antes do atual conflito. “O que vai sair desse Irã que já estava mergulhado num caos econômico-social, com essa guerra vai piorar ainda, as disputas internas vão se intensificar. Quem encravar o que vai acontecer no Irã, desculpa, está puro chutômetro”, finalizou.
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Fonte : CNN