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Quatro adolescentes foram indiciados pela Polícia Civil do Rio de Janeiro por participarem de um estupro coletivo contra uma menor de 17 anos, ocorrido na noite de 31 de janeiro, em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro. Dois dos envolvidos no crime são estudantes do tradicional Colégio Pedro II, e um deles seria ex-namorado da vítima.

O Disque Denúncia divulgou, neste domingo (1º), um cartaz para ajudar na localização de quatro jovens considerados foragidos: Bruno Felipe dos Santos Allegretti, 18 anos; Vitor Hugo Oliveira Simonin, 18; Mattheus Verissimo Zoel Martins, 19; e João Gabriel Xavier Bertho, 19. Um adolescente de 17 anos também é investigado, com identidade preservada.

De acordo com a Polícia, o crime “foi uma emboscada planejada” para atrair a vítima, por meio de uma relação amorosa que ela mantinha com um dos envolvidos, realizado para que ela mantivesse relações sexuais com ele e com seus amigos.

A CNN Brasil lista a seguir os principais pontos do caso; entenda:

Antes do crime

Momentos anteriores ao crime a jovem recebeu mensagens de seu ex-namorado a convidando para ir em seu apartamento. A partir da relação de confiança, ela teria aceitado ir ao imóvel, localizado na rua Ministro Viveiros de Castro.

Em uma das conversas ele enviou um emoji de urgência, fez ligações e pediu para que ela leve uma amiga. Diante da resposta negativa, ele demonstrou que não haveria problema em ela comparecer sozinha.

As mensagens também registram a combinação para o encontro na portaria do prédio e os horários em que a adolescente avisou que estava chegando.

Segundo a jovem, ela e o menor já teriam tido um relacionamento entre os anos de 2023 e 2024, mas que não se viam desde então. Ao chegar no local, o jovem desceu até a rua para buscá-la e os dois subiram pelo elevador juntos.

Próximos de entrarem no apartamento, o suspeito disse estar junto de outros dois amigos e que eles iriam fazer “algo diferente”, o que a jovem disse ter recusado prontamente.

Imagens de câmeras de segurança registraram a chegada dos jovens ao apartamento, a entrada da adolescente acompanhada pelo menor e, posteriormente, a saída dela do imóvel.

Momento do crime

Segundo o inquérito policial, ao chegar no local, a vítima iniciou uma relação sexual consentida com o adolescente. No entanto, o quarto em que eles estavam foi invadido por outros três jovens que pediram para participar do ato.

Mesmo com a repressão e negativa da vítima, houve insistência e pressão para que ela cedesse. A situação se agravou para agressões físicas e atos sexuais forçados por parte de todos os presentes.

A menina chegou a dizer que os jovens a impediram de sair do quarto para poder continuar com os abusos. Um deles chegou a confrontá-la perguntando se a mãe a via nua, já que ela estava “machucada e sangrando”.

Posterior ao crime

As gravações da câmera de segurança também mostram a saída dos demais investigados em horários próximos ao crime. Conforme relatório policial, após acompanhar a vítima até a saída do edifício, o adolescente retorna ao apartamento e faz gestos interpretados pelos investigadores como de “comemoração”.

Ao sair da residência, a adolescente telefonou abalada para o irmão e disse que achava que teria sido estuprada. Os familiares da vítima a levaram para a delegacia, onde um boletim de ocorrência foi registrado.

Laudo pericial confirmou as agressões

Um exame de corpo de delito confirmou que havia hemorragia, sangue e escoriações na parte íntima da menor. Além de machucados nas costas e nos glúteos, compatíveis com o relato dela em relação aos socos e tapas que sofreu dos meninos. Também foi constatado a presença de sêmen.

A vítima reconheceu formalmente os agressores por meio das imagens da câmera.

O inquérito foi concluído e a autoridade policial reconheceu que haviam indícios suficientes de estupro coletivo. A Polícia Civil repassou o inquérito ao Ministério Público e solicitou a prisão dos envolvidos.

Suspeitos foragidos e medidas institucionais

A Justiça expediu mandados de prisão preventiva contra quatro jovens,:

  • Bruno Felipe dos Santos Allegretti, 18 anos;
  • Vitor Hugo Oliveira Simonin, 18 anos;
  • Mattheus Verissimo Zoel Martins, 19 anos;
  • João Gabriel Xavier Bertho, 19 anos.

O adolescente de 17 anos responderá conforme as normas da Vara da Infância e da Adolescência.

Afastamento das instituições

O Serrano Football Club, clube de futebol da região de Petrópolis, no Rio de Janeiro, afastou o jogador João Gabriel Xavier Bertho, de 19 anos, indiciado pela PCERJ.

“Entendemos a gravidade da situação e reforçamos que o clube repudia veementemente qualquer forma de assédio ou violência”, disse o Serrano FC.

Além disso, o Colégio Pedro II informou que dois dos envolvidos estudam na unidade. Assim que tomou conhecimento do caso, a gestão do Campus Humaitá II adotou as providências necessárias, incluindo o acolhimento à família da vítima, e solicitou o desligamento dos alunos.

De acordo com o comunicado, um dos alunos é Vitor Hugo Oliveira Simonin, maior de idade, e está sendo procurado pelos investigadores. O outro estudante é menor e, por isso, não teve a identidade revelada.

O que diz a defesa

Em nota, a defesa de João Gabriel Bertho negou com veemência a ocorrência de estupro e emboscada. Afirmou ainda que ele não tem nenhum histórico de violência e jamais estudou no Pedro II.

“A jovem sabia que havia outros rapazes na casa em que ela encontraria o ex-namorado e consentiu que João e os outros entrassem no quarto para assistir ao encontro íntimo entre ela e o ex-namorado. João Gabriel é atleta profissional e, até o momento, não teve oportunidade de ser ouvido para se defender”, completa a nota.

A defesa dos outros citados ainda não foi localizada. O espaço segue aberto. 

*Sob supervisão de AR.

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Fonte : CNN

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