Há um ano, o filme “Ainda Estou Aqui“, de Walter Salles, venceu o Oscar 2025 de Melhor Filme Internacional e fez história para o cinema brasileiro ao conquistar o primeiro Oscar do país — coroando uma trajetória de sucesso que havia começado ainda no Festival de Veneza, em setembro de 2024, quando o longa levou o prêmio de Melhor Roteiro.
Desde o lançamento nacional, em 7 de novembro de 2024, o filme construiu uma escalada impressionante nas bilheterias brasileiras, encerrando sua trajetória nas telonas como o décimo filme nacional mais visto da história do país e o sétimo desde 2002.
Dados da Secretaria de Regulação da Ancine (Agência Nacional do Cinema) mostram que “Ainda Estou Aqui” levou 5,8 milhões de espectadores aos cinemas no Brasil e arrecadou R$ 104,7 milhões em renda.
O impacto da produção estrelada por Fernanda Torres foi além dos números do próprio filme. Segundo a Ancine, só em 2025, “Ainda Estou Aqui” respondeu por 32% do público de filmes nacionais, elevando o market share do cinema brasileiro no período para 30,1% — participação que cairia para 22,1% sem o longa nas telonas.
A trajetória nas bilheterias foi pontuada por sucessivas ondas de crescimento, todas atreladas às premiações. A vitória de Fernanda Torres no Globo de Ouro, por exemplo, puxou uma alta de 57% no público na semana seguinte, que subiu mais 122% na sequência.
A indicação ao Oscar, anunciada em 23 de janeiro, gerou nova alta de 89%. A Semana do Cinema, em fevereiro, fechou o ciclo com o pico mais expressivo: um salto de 174%, a segunda melhor semana de exibição desde a estreia.
Para além do cinema
O impacto de “Ainda Estou Aqui” extrapolou as salas de cinema e chegou ao Supremo Tribunal Federal.
O ministro Flávio Dino revelou ter citado o livro de Marcelo Rubens Paiva, o filme de Walter Salles e a atuação de Fernanda Torres em um julgamento, durante fevereiro de 2025, sobre a Lei da Anistia — mais especificamente, se ela abrange crimes de ocultação de cadáveres cometidos durante a ditadura militar.
“Não é um fundamento jurídico em si mesmo, mas é um diálogo muito interessante e necessário entre a arte, a cultura e aquilo que o direito em algum momento decidiu”, disse o ministro.
Sobre “Ainda Estou Aqui”
O longa-metragem é uma adaptação do livro homônimo escrito por Marcelo Rubens Paiva. A história se passa na década de 1970, no período mais intenso da ditadura militar no Brasil, e acompanha a trajetória da família Paiva, composta por Rubens, Eunice e cinco filhos.
A vida da família se transforma completamente quando, em um dia fatídico, Rubens Paiva é levado por militares à paisana e some sem deixar rastros.
Sob direção de Walter Salles (“Diários de Bicicleta” e “Central do Brasil”), a produção é estrelada por Fernanda Torres (“Tapas & Beijos”), que foi indicada ao Oscar pelo papel, e Selton Mello (“O Auto da Compadecida”).
Nomes como Valentina Herszage (“Elas por Elas”), Maeve Jinkings (“Pedágio”), Antonio Saboia (“Deserto Particular”), Olívia Torres (“Continente”), Humberto Carrão (“Aquarius”), Dan Stulbach (“Mulheres Apaixonadas”), Charles Fricks (“Terra e Paixão”), Luiz Bertazzo (“Baby”) e mais completam o elenco.
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Fonte : CNN