Israel desempenha um papel crucial nos ataques coordenados pelos Estados Unidos contra o Irã. O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu foi determinante para convencer o presidente Donald Trump a iniciar os ataques, após identificar que este seria o momento de maior vulnerabilidade do regime iraniano. Análise é de Américo Martins, ao Agora CNN.
Martins destacou que Netanyahu construiu sua carreira política em dois pilares fundamentais: negar o direito dos palestinos de terem seu próprio Estado e identificar o Irã como uma ameaça existencial a Israel.
“Israel tem um papel fundamental nesses ataques. Foi o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, que indo a Mar-a-Lago, tendo reuniões no final do ano, determinou e convenceu o presidente Donald Trump a abrir esses ataques, porque ele, Netanyahu, reconheceu que este é o momento de maior fragilidade da República Islâmica”, afirmou Martins.
A análise também revela como a política interna de Israel está reagindo à situação. Mesmo líderes da oposição, como Benny Gantz, do Partido Azul e Branco, apoiam os ataques contra o Irã. “Isso mostra a unidade da população e dos políticos israelenses com relação a esse ataque”, explicou o analista.
“Os israelenses reconhecem o Irã como uma ameaça existencial ao estado de Israel, então vão sempre se unir o máximo possível contra inimigos externos, depois do conflito vão debater os impactos desse conflito na política interna”, relatou Américo Martins.
Impacto nas eleições israelenses
O analista observou que os ataques contra o Irã podem influenciar diretamente as próximas eleições em Israel. Netanyahu, segundo Martins, sairá fortalecido desse processo, especialmente após a morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei e se conseguir conter os ataques do Irã contra a população israelense.
“Se ele minimizar esses ataques, Netanyahu sai fortalecido para as eleições”, afirmou Martins.
No entanto, o especialista fez uma crítica contundente à forma como líderes israelenses, incluindo figuras da oposição como Benny Gantz, têm lidado com a morte de civis. Ele mencionou especificamente um ataque a uma escola de meninas no Irã que deixou 148 mortos, classificando-o como “um crime de guerra que precisa ser investigado”.
Américo Martins defendeu que “a indignação que foi mostrada por aqueles ataques injustificáveis do Hamas contra civis israelenses tem que ser demonstrada também pela morte dessas crianças, desses civis”.
“Então Benny Gantz, como líder da oposição, deveria ter tido uma posição bem mais crítica com relação a isso e não simplesmente dizer que civis iranianos têm que ficar longe dos alvos militares”, opinou o analista.
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Fonte : CNN