Os ataques lançados pelos Estados Unidos contra o Irã neste sábado (28) geraram forte repercussão no Congresso americano, onde parlamentares já elaboram medidas para limitar os poderes de Donald Trump em relação ao país no Oriente Médio. A operação militar, que resultou na morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, dividiu os congressistas e levantou questionamentos sobre as promessas de campanha do presidente americano.
A Casa Branca, por meio de sua porta-voz Karoline Leavitt, afirmou que Trump avisou líderes dos principais comitês do Congresso sobre a operação. Mesmo assim, a administração deverá realizar briefings esta semana com o Senado e a Câmara dos Deputados para esclarecer detalhes da ação militar. O histórico dos Estados Unidos de eliminar líderes autoritários sem conseguir ajudar na reconstrução desses países gera preocupações e cautela entre líderes mundiais.
Donald Trump anunciou a morte de Khamenei em sua rede social Truth Social, descrevendo o líder iraniano como “uma das pessoas mais perversas da história”. Na mensagem, Trump afirmou que os bombardeios contra o Irã continuarão “ininterruptamente durante a semana ou enquanto for necessário para atingir o objetivo de paz no Oriente Médio”. O presidente americano comandou a operação de Mar-a-Lago, na Flórida, e não da Casa Branca.
A decisão de Trump de atacar o Irã gerou críticas por contradizer suas promessas eleitorais. Durante a campanha, ele prometeu tirar os Estados Unidos do que chamou de “guerras infinitas”, mas agora fala em continuar bombardeios por semanas. No Congresso americano, a oposição já prepara uma resolução para limitar os poderes do presidente com relação ao Irã, iniciativa liderada por dois deputados – um democrata e um republicano.
Alguns apoiadores de Trump, que se tornaram críticos às medidas presidenciais, consideraram os ataques como uma traição às promessas feitas aos americanos. O presidente vinha sendo cobrado para focar mais nas questões internas dos Estados Unidos e menos em questões externas. Diferentemente da operação na Venezuela no início do ano, que teve maior popularidade, a intervenção no Irã não conta com apoio tão expressivo da população.
Incertezas sobre o futuro
O anúncio da morte de Ali Khamenei muda toda a dinâmica da região e coloca o mundo em território desconhecido. Não há garantias de que ocorrerá uma mudança de regime no Irã, como sugeriu Trump ao dizer que “essa é a única chance que o povo iraniano tem de retomar o seu país”. O regime dos aiatolás é estruturado e possui regras para escolher sucessores, não sendo claro se um eventual sucessor seria alguém mais linha-dura ou mais aberto às demandas americanas.
Informações da inteligência americana afirmam que qualquer vácuo na Guarda Revolucionária Islâmica deve ser preenchido a curto prazo, pois existe uma preparação para isso. Há também o risco de um sentimento de nacionalismo tomar conta dos iranianos, o que poderia dificultar ainda mais as relações com os Estados Unidos.
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Fonte : CNN