O conflito iniciado neste sábado (28) entre Estados Unidos e Israel contra o Irã pode ter consequências que ultrapassam as fronteiras do Oriente Médio, afetando o cenário geopolítico global. Alexandre Coelho, professor de Relações Internacionais da FESPSP, destaca em entrevista à CNN o Estreito de Ormuz como um ponto estratégico crucial nesse embate.
Segundo Coelho, o Estreito de Ormuz é um “choke point” estratégico, cuja instabilidade pode afetar não apenas os atores regionais, mas todo o sistema internacional.
O especialista expressa preocupação com os recentes ataques de Israel às refinarias e bases de produção de energia do Irã, o que pode atrair ainda mais a atenção de potências como China, Rússia e Estados Unidos.
Impacto na China e interesses globais
A China, altamente dependente da exportação de petróleo do Irã e de outros países da região, seria significativamente afetada por um possível bloqueio do Estreito de Ormuz. Coelho acredita que isso pode levar Pequim a uma atuação mais assertiva nos próximos dias, buscando conter a escalada do conflito no Oriente Médio.
O professor também menciona o papel de outros atores internacionais, como Rússia e Estados Unidos, na possível mediação do conflito. A Rússia, aliada do Irã e dependente de seus drones para o conflito na Ucrânia, tem interesse em minimizar as tensões.
Já os Estados Unidos, sob a administração Trump, demonstram uma postura ambígua, tendo anteriormente denunciado acordos com o Irã.
Complexidade política e riscos energéticos
Coelho ressalta a complexidade da estrutura política iraniana, com diversos grupos de interesse e perfis dentro do país. Ele alerta para a possibilidade de o Irã bloquear o Estreito de Ormuz como moeda de troca, caso continue sofrendo ataques às suas fontes de energia.
O especialista conclui destacando o dilema da China: se apoiar demais o Irã, pode sofrer sanções ocidentais; se não agir, coloca em risco sua própria segurança energética. Esta situação ilustra a intrincada teia de interesses e riscos que envolvem o conflito entre Israel e Irã, com potenciais repercussões globais.
Entenda o conflito atual
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou os ataques do país com Israel contra o Irã neste sábado (28). Trump descreveu a campanha militar como “massiva e contínua”, acrescentando que vidas americanas podem ser perdidas como resultado.
Trump afirma que o objetivo da ofensiva é “defender o povo americano” do que chamou de “ameaças do governo iraniano”. Em um vídeo publicado na rede social Truth Social, o presidente dos EUA disse que irá destruir os mísseis do Irã e garantir que o país do Oriente Médio não terá armas nucleares.
Um oficial israelense afirmou que o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, foi alvo do ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel ao país iraniano neste sábado. A informação também foi confirmada à CNN por duas fontes próximas à operação militar.
Como resposta, o Irã atacou bases americanas nos Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait e Arábia Saudita. Outros países atingidos até o momento são Jordânia e Iraque. Segundo a equipe da CNN, é um ataque sem precedentes no Oriente Médio.
Uma pessoa morreu após ser atingida por destroços em uma área residencial de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.
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Fonte : CNN