O Irã lançou seu primeiro ataque em larga escala com drones contra Israel, disparando “dezenas de drones de ataque”, disse o Exército iraniano, levando a população israelense a buscar abrigo em bunkers. Em entrevista à CNN Brasil, o historiador brasileiro e assessor do Instituto Brasil-Israel, que está no norte de Israel, relatou sua experiência durante os ataques.
“Os alarmes soaram especialmente pela manhã. Na parte da tarde, a região onde eu moro foi um período curto de tempo, mas durante a manhã a gente teve que ficar mais de uma hora, uma hora e meia no quarto protegido com os alarmes soando incessantemente”, explicou Miragaya, que se encontra na cidade de Ave, Italion.
O historiador destacou que, apesar da intensidade dos ataques, os danos foram limitados. “A gente não tem muitas notícias de lugares atingidos nem de feridos. Até onde eu vi, só tinha um ferido em estado leve e dois edifícios que sofreram ou por destroços de mísseis ou por uma colisão direta”, relatou.
Segundo ele, foram lançados 36 mísseis balísticos pelo Irã durante a manhã.
Situação no país e expectativas
Miragaya explicou que Israel vinha vivendo uma “normalidade tensa” antes dos ataques. “Todo mundo sabia que alguma coisa podia acontecer, mas ninguém sabia ao certo se ela realmente aconteceria, nem quando ela aconteceria”, afirmou.
As atividades não essenciais foram suspensas e as aulas canceladas pelo menos até quinta-feira (5).
Para o historiador, o regime iraniano não tem interesse em uma guerra prolongada. “O regime iraniano, mesmo sob ataque, disse que estão abertos a conversar com os Estados Unidos e que os Estados Unidos sabem como alcançá-los. Ou seja, o Irã está disposto a negociar. Essa guerra não interessa ao Irã”, analisou.
Enfraquecimento dos grupos aliados ao Irã
Questionado sobre a possibilidade de novos ataques de grupos terroristas aliados ao Irã contra Israel, Miragaya ressaltou que essas organizações estão significativamente enfraquecidas. “Boa parte dos próxis do Irã – o Hezbollah, os Houthis no Iêmen, as milícias no Iraque ou até na Síria – estão fortemente enfraquecidos por conta dos últimos dois anos e meio e dos consequentes ataques sofridos para o Israel”, explicou.
“A liderança do Hezbollah foi totalmente aniquilada, eles tinham uma liderança nova, e seu arsenal militar também. Nem o Hamas, nem o Hezbollah, são capazes de incomodar de maneira preocupante a população israelense, a população civil israelense”, acrescentou o historiador.
Miragaya também comentou sobre as negociações e as exigências impostas ao Irã: “Quando você estabelece negociações com exigências tão altas, a gente pode chegar à conclusão de que ou você espera que o outro lado se renda, ou você está se preparando para uma guerra”.
Ele questionou o que acontecerá nos próximos meses se o regime não cair: “Haverá negociações ou a gente vai ter outro conflito daqui a pouco?”
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Fonte : CNN