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O Paquistão tem sido o amigo mais próximo do Talibã afegão por décadas. Foi Islamabad que ajudou a dar origem ao Talibã no início dos anos 1990 como forma de garantir “profundidade estratégica” ao Paquistão em sua rivalidade com a Índia. O que deu errado?

O Paquistão realizou ataques aéreos contra as principais cidades do Afeganistão durante a noite da quinta (26), disseram autoridades em Islamabad e Cabul nesta sexta-feira (27), intensificando meses de confrontos na fronteira entre os vizinhos islâmicos.

Os ataques aéreos e terrestres, que atingiram postos militares do Talibã, quartéis-generais e depósitos de munição em vários setores ao longo da fronteira, ocorreram após o Afeganistão lançar um ataque contra forças paquistanesas na fronteira, segundo as autoridades.

Ambos os lados relataram pesadas perdas nos combates, que o ministro da Defesa do Paquistão classificou como uma “guerra aberta”.

As tensões vêm aumentando desde que o Paquistão lançou ataques aéreos contra alvos militantes no Afeganistão no fim de semana passado.

Anteriormente, confrontos na fronteira entre os dois países mataram dezenas de soldados em outubro, até que negociações facilitadas por Turquia, Catar e Arábia Saudita encerraram as hostilidades e um frágil cessar-fogo foi estabelecido.

A escalada do conflito está muito distante do apoio histórico de Islamabad ao Talibã. As principais questões:

Por que os vizinhos estão em conflito?

O Paquistão celebrou o retorno do Talibã ao poder em 2021, com o então primeiro-ministro Imran Khan dizendo que os afegãos haviam “quebrado as correntes da escravidão”.

Mas Islamabad logo descobriu que o Talibã não era tão cooperativo quanto esperava.

Islamabad afirma que a liderança do grupo militante TTP (Tehreek-e-Taliban Pakistan) e muitos de seus combatentes estão baseados no Afeganistão, e que insurgentes armados que buscam a independência da província paquistanesa de Baluchistão, no sudoeste do país, também utilizam o Afeganistão como refúgio seguro.

A militância aumentou a cada ano desde 2022, com a intensificação dos ataques do TTP e de insurgentes balúchis, segundo a Armed Conflict Location & Event Data, uma organização global de monitoramento.

Cabul, por sua vez, negou repetidamente permitir que militantes usassem território afegão para lançar ataques no Paquistão.

O Talibã afegão afirma que o Paquistão abriga combatentes de seu inimigo, o Estado Islâmico, acusação que Islamabad nega.

Islamabad diz que o cessar-fogo não durou muito devido a ataques contínuos de militantes vindos do Afeganistão, e desde então houve confrontos repetidos e fechamentos de fronteira que têm interrompido o comércio e o movimento ao longo da fronteira acidentada.

O que desencadeou os últimos confrontos?

No dia anterior aos ataques do último fim de semana, fontes de segurança paquistanesas afirmaram ter “provas irrefutáveis” de que militantes no Afeganistão estavam por trás de uma recente onda de ataques e atentados suicidas que tiveram como alvo militares e policiais paquistaneses.

As fontes listaram sete ataques planejados ou bem-sucedidos por militantes desde o final de 2024, que teriam conexão com o Afeganistão.

Um ataque na semana passada, que matou 11 agentes de segurança e dois civis no distrito de Bajaur, foi realizado por um nacional afegão, segundo fontes de segurança paquistanesas. Esse ataque foi reivindicado pelo TTP.

Quem são os Talibãs Paquistaneses?

O TTP foi formado em 2007 por vários grupos militantes ativos no noroeste do Paquistão. É comumente conhecido como Talibã Paquistanês.

O TTP atacou mercados, mesquitas, aeroportos, bases militares, delegacias de polícia e também conquistou territórios, principalmente ao longo da fronteira com o Afeganistão, mas também no interior do Paquistão, incluindo o Vale de Swat. O grupo esteve por trás do ataque de 2012 à então estudante Malala Yousafzai, que recebeu o Prêmio Nobel da Paz dois anos depois.

O TTP também lutou ao lado do Talibã afegão contra as forças lideradas pelos EUA no Afeganistão e abrigou combatentes afegãos no Paquistão. O país lançou operações militares contra o TTP em seu próprio território com sucesso limitado, embora uma ofensiva que terminou em 2016 tenha reduzido drasticamente os ataques até alguns anos atrás.

O que pode acontecer agora?

Analistas afirmam que o Paquistão provavelmente vai intensificar sua campanha militar, enquanto a retaliação de Cabul pode vir na forma de ataques a postos fronteiriços e mais ações guerrilheiras transfronteiriças contra forças de segurança.

No papel, há um grande desequilíbrio entre as capacidades militares dos dois lados. Com 172.000 combatentes, o Talibã tem menos de um terço do efetivo do Paquistão.

O Talibã possui pelo menos seis aeronaves e 23 helicópteros, mas sua condição é desconhecida, e não possui caças ou força aérea eficaz.

As forças armadas do Paquistão incluem mais de 600.000 militares ativos, possuem mais de 6.000 veículos blindados de combate e mais de 400 aeronaves de combate, segundo dados de 2025 do International Institute for Strategic Studies. O país também é armado nuclearmente.

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Fonte : CNN

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