Nos últimos anos, astros de cinema têm divulgado seus filmes com um tipo de fantasia promocional chamado “method dressing” (algo como “vestir-se de acordo com o método”).
Inspirando-se nos temas ou clichês de seus filmes, eles aparecem no tapete vermelho com looks que funcionam como piadas internas exageradas — espartilhos em Margot Robbie para a versão arrebatada de “O Morro dos Ventos Uivantes”, e figurinos que sinalizam “bem” e “mal” para Ariana Grande e Cynthia Erivo na adaptação em duas partes de “Wicked”. Cada vez mais, eles se parecem menos com estrelas de cinema e mais com convidados de um baile à fantasia caríssimo.
Nenhuma estrela é mais comprometida com o method dressing do que Robbie. Trabalhando com o stylist Andrew Mukamal, ela adotou um guarda-roupa de looks inspirados na Barbie para promover o blockbuster de 2023, às vezes encarregando estilistas de recriar um figurino exato da boneca. Era cafona e exagerado — mas a própria boneca também é assim, como a diretora Greta Gerwig nos lembrou com delicadeza —, e a visão de Robbie em terninhos rosa-choque, minivestidos e vestidos de gala estabeleceu perfeitamente o tom do filme como uma espuma pop cuidadosamente elaborada.
A metodologia de Robbie continuou nas aparições no tapete vermelho por seu papel principal na adaptação melodramática de “O Morro dos Ventos Uivantes”, dirigida por Emerald Fennell. Há espartilhos, mangas bufantes e pequenos adereços de época que sugerem a ligação entre ela e seu colega de elenco Jacob Elordi. Isso tem sido muito menos eficaz do que seus looks de “Barbie girl, Barbie world”, em parte porque o filme é mais sério (supostamente um romance literário) e porque o universo do livro de Emily Brontë não é conhecido por roupas extravagantes, ao contrário do de Marie Antoinette ou do cenário de época Regência de “Bridgerton”.
Não está claro o que os figurinos de Robbie pretendem nos dizer, além de que ela está promovendo um drama de época — qual época, as roupas não esclarecem. Em um momento, Robbie usou um look que destacou uma estilista emergente, Dilara Findikoglu, que criou um vestido trançado com cabelo sintético para a estreia do filme em Londres. Em outro, vestiu um dos vestidos mais feios da Chanel dos últimos tempos.

Hollywood está desesperada para levar o público de volta às salas de cinema, e não se pode culpar os atores por fazerem qualquer coisa para gerar entusiasmo — seja Timothée Chalamet escalando a Sphere, transformada em uma bola gigante de pingue-pongue, em Las Vegas para promover “Marty Supreme”, ou usando um terno horrível da Chrome Hearts em homenagem laranja ao seu personagem-título.
Chalamet também levou o method dressing ao extremo para sua cinebiografia de Bob Dylan, “Um Completo Desconhecido”, recriando looks obscuros do cantor, como o visual com cavanhaque e cachecol no Festival de Sundance de 2003. E Erivo e Grande poderiam ter confiado apenas em seu vínculo estranho, mas tocante, para nos levar aos cinemas para ver “Wicked”. Mas seus visuais coordenados e ostensivos — uma é má e a outraé “boa”, e você sabe disso pelas cores que estão usando! — mostraram o quanto queriam nossa presença. Para “Marty Supreme”, “Um Completo Desconhecido” e “Wicked”, o desespero de marketing compensou: todos foram sucessos de bilheteria.

O method dressing foi popularizado por Law Roach, o autodenominado “arquiteto de imagem” que transformou peças vintage no maior trunfo fashion das celebridades numa época em que grandes marcas se recusavam a lhe emprestar roupas. Roach é especialista em usar roupas para contar histórias, embora suas narrativas tendam a ser mais sutis — que Lindsay Lohan está pronta para ser levada a sério como adulta, ou que Celine Dion pode ser uma grande diva, mas tem senso de humor. Ele vestiu Zendaya, sua cliente mais famosa, com um traje robótico vintage para “Dune” e saltos em formato de bola de tênis para o thriller erótico “Rivais”, reforçando sua imagem de atriz dedicada que se joga em qualquer papel, seja o grande blockbuster ou o indie excêntrico.

Mas agora está claro que esse truque sartorial é uma estratégia de marketing, e parece menos estilo ou moda e mais figurino. Ainda pode soar elegante: veja Chalamet no Festival de Cinema de Palm Springs, em janeiro, quando usou um terno sob medida da Givenchy alinhado ao seu personagem e à moda de meados do século, que conquistou um culto entre aficionados por moda masculina. O look aponta para onde o estilo pode caminhar — uma conversa mais sutil.
Na maior parte das vezes, porém, o method dressing parece datado — felizmente, estamos entrando numa era menos voltada para o vestir performático e mais para vestir-se com dignidade. Atrizes que parecem mais conectadas ao momento são Ayo Edebiri, Teyana Taylor e Jennifer Lawrence — que encaram o figurino para estreias e premiações menos como uma oportunidade de criar um visual escandaloso e mais como uma forma de afirmar sua arte e originalidade.
É difícil não olhar para os tapetes vermelhos soltos e despreocupados dos anos 1990, quando Julia Roberts podia usar um terno masculino oversized para aceitar um Globo de Ouro e Sharon Stone podia combinar uma camisa da Gap com uma saia de cetim franzida e entrar na lista das mais bem vestidas. Mas há dinheiro demais em jogo (ou no tapete, por assim dizer) para que as estrelas retornem àquela liberdade — até mesmo o method dressing muitas vezes é resultado de contratos de alto valor com marcas, necessários em tempos mais difíceis para o entretenimento. Temos elogiado atores demais por usarem roupas simplesmente feias. Não merecemos um pouco de beleza?
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Fonte : CNN